André Dusek/Estadão
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Dívida bruta do governo está em nível preocupante

Tamanho da relação dívida bruta/PIB é um dos principais pontos analisados pelas agências de classificação de risco e pode levar a economia brasileira a perder o grau de investimento

Luiz Guilherme Gerbelli, O Estado de S. Paulo

11 de agosto de 2015 | 05h00

A preocupação com o aumento dos gastos públicos se justifica pelo tamanho da dívida bruta do governo central em relação ao Produto Interno Bruto (PIB). Os dados do Banco Central mostram uma clara piora nos últimos anos. Em junho, essa relação ficou em 63% do PIB, o pior resultado da história. No mesmo mês de 2014, estava em 55% do PIB.

O tamanho da relação dívida bruta/PIB é um dos principais pontos analisados pelas agências de classificação de risco e pode levar a economia brasileira a perder o grau de investimento. A tendência é de crescimento neste ano e em 2016, pelo menos. O principal receio é que a dívida bruta ultrapasse os 70% do PIB, o que poderia acelerar o rebaixamento do País. Esse resultado ficou mais próximo porque a economia brasileira enfrenta uma combinação que inclui recessão, juro real (quando descontada a inflação) muito elevado e um resultado primário muito baixo. 

Atualmente, nenhum país emergente com grau de investimento tem uma relação dívida/PIB superior a 70%.

“O quadro atual não significa que a economia brasileira está no apocalipse e que o Brasil já perdeu o grau de investimento. Mas é um cenário que vai demandar uma série de medidas para ser alterado”, afirma Mansueto Almeida, economista e especialista em contas públicas.

No quadro fiscal, a equipe econômica tem feito um ajuste abaixo do esperado. A meta de superávit primário (economia do governo para pagar os juros da dívida) para este ano foi reduzida para 0,15% do PIB (R$ 8,74 bilhões) – esse valor ainda poderá sofrer um abatimento se houver frustrações de receitas. No início do ano, a promessa era de uma economia de 1,13% do PIB (R$ 66,3 bilhões).

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