Dívida da Argentina poderá ser paga com reservas

O governo argentino deverá enfrentar, nesta semana, o pagamento de US$ 96,8 milhões de dólares ao Fundo Monetário Internacional com reservas do Banco Central, conforme sugestão da própria vice-diretora-gerente do FMI, Anne Krueger. Apesar de não ser significativa, a cifra e seu pagamento representam um duro golpe para a Argentina porque diante da ausência de um acordo com o organismo, o país deverá adotar uma posição contrária à opinião da maioria dos analistas econômicos que considera "muito arriscado" o uso das minguadas reservas para o pagamento de dívidas. Uma alta fonte do Ministério de Economia afirmou à Agência Estado que o "governo honrará seus compromissos com o dinheiro das reservas para não emitir nenhum sinal externo de que haverá um novo default argentino", o que riscaria de vez o nome da Argentina da lista internacional. O ministro de Economia, Roberto Lavagna, tem esperanças de que a partir desta quinta-feira próxima, quando estará viajando à Washington para participar da Assembléia Anual do FMI e do Banco Mundial, consiga algum avanço nas negociações com o organismo. Ainda em setembro, vencerão outros US$ 62 milhões de dólares com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e US$ 170 milhões de dólares com o Banco Mundial (Bird). O pagamento de todos os vencimentos deste mês representará a perda de US$ 329 milhões de dólares das reservas internacionais que registravam US$ 9,473 bilhões até quarta-feira da semana passada, segundo informações do Banco Central. Para a equipe econômica, o pagamento dos vencimentos de setembro não colocaria em risco a política monetária, já que a cifra a ser usada não baixaria as reservas ao seu piso, determinado pelo governo, de US$ 9 bilhões. Porém, ao longo prazo, daqui até março de 2003, se não houver um acordo com o FMI, dificilmente o governo de Eduardo Duhalde poderia manter os pagamentos com as reservas, uma vez que os vencimentos totais somam-se US$ 4,6 bilhões de dólares de dívidas com os três organismos multilaterais de crédito.O temor de um novo default argentino é real mas não convém a nenhum dos lados, já que a Argentina lhes deve US$ 31,263 bilhões de dólares. Para a Argentina, seria o empurrão final ao abismo da falta de crédito e de isolamento internacional. Porém, aos organismos, lhes afetaria a exposição de uma série de erros em suas políticas de concessão de créditos. Segundo fontes do mercado, e pessoas muito próximas destes organismos, o BID, por exemplo, sofreria a perda de seu rating de AAA, já que 35% dos salários de seus funcionários é pago pelos juros da dívida argentina, tamanho o nível de exposição do banco. Com o Bird, a exposição já não é tão grande, mas mesmo assim, as fontes dizem que entre as qualificadoras de risco, o organismo também corre o risco de perder pontos no rating. A Argentina lhe deve US$ 9,263 bilhões de dólares.

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