Dívida da Grécia é insustentável se setor oficial não aceitar perdas, diz Moody’s

Apesar do ‘segundo default’ ter oferecido um alívio de curto prazo, solução de longo prazo depende que instituições oficiais sofram perdas, diz agência de classificação de risco

Lucas Hirata, da Agência Estado ,

17 de dezembro de 2012 | 14h08

ATENAS - A agência de classificação de risco Moody's afirmou que a dívida do governo da Grécia permanece insustentável apesar do "segundo default" do país, à medida que só será possível colocar o país de volta nos trilhos se as instituições oficiais sofrerem perdas com os empréstimos gregos.

Em um relatório divulgado nesta segunda-feira, 17, a Moody's disse que a recompra de dívida do setor privado do dia 12 de dezembro, uma operação que a agência considera como um default, ofereceu um alívio de curto prazo para a Grécia. Mas as soluções de longo prazo precisam englobar as instituições oficiais detentoras de bônus gregos, como o Banco Central Europeu (BCE), para que elas sofram perdas sobre a quantidade principal de empréstimos, disse a Moodys.

"Um outro default sobre o restante da dívida privada daria pouco alívio, já que, agora, mais do que 75% do estoque total da dívida é detido por credores oficiais", diz o relatório. "Em nossa opinião, apenas uma redução no principal da dívida pública conduziria a uma aparência de sustentabilidade da dívida da Grécia".

Ainda assim, a probabilidade de um outro default da dívida detida pelo setor privado permanece alta, disse a Moody's.

A agência também indicou que não é realista esperar que a Grécia cumpra as metas fiscais impostas por seus credores internacionais, dado que as medidas de austeridade decretadas estão tendo um "efeito adverso" sobre a economia.

"Nós esperamos que a economia encolha 4,2% em 2013 - o sexto ano consecutivo de recessão - prejudicando os esforços de austeridade do governo para corrigir os desequilíbrios fiscais", afirmou Moody's. As informações são da Dow Jones.

Tudo o que sabemos sobre:
moody'sgréciadívida

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.