JB NETO / AE
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Dívida da Petrobrás com os bancos públicos deve chegar a R$ 79 bi

Conta subiu com os empréstimos de R$ 6,5 bilhões do Banco do Brasil e da Caixa anunciados na sexta-feira

Vinicius Neder, O Estado de S. Paulo

20 de abril de 2015 | 23h30

RIO - Com a nova rodada de empréstimos anunciados na última sexta-feira, os recursos de bancos públicos comprometidos com a Petrobrás poderá chegar a R$ 79 bilhões. Segundo estimativa da agência de classificação de risco Moody’s, esse valor encerrou 2014 em US$ 27 bilhões, ou R$ 72,5 bilhões pelo câmbio da época. O total subirá com os R$ 6,5 bilhões conseguidos pela estatal com Banco do Brasil (BB) e Caixa. O Bradesco emprestou outros R$ 3 bilhões, como a Petrobrás informou no final da semana passada, após a Bolsa fechar. 

O montante comprometido considera o valor de exposição – o quanto um banco ainda tem a receber de um cliente, ou seja, o valor total contratado no financiamento, descontando o que já foi pago. Esse indicador é o que importa para a saúde financeira dos bancos e o risco de perdas com inadimplência. 


Em novembro, a consultoria PricewaterhouseCoopers recusou-se a auditar o balanço financeiro do terceiro trimestre de 2014 da Petrobrás e, desde então, a companhia não tem dados auditados. Mesmo com os atrasos no balanço, os bancos toparam assumir o risco dos empréstimos à estatal. 

Para João Augusto Salles, analista especializado no setor bancário da consultoria Lopes Filho, “causa estranheza” no mercado os empréstimos serem aprovados antes da divulgação do balanço da Petrobrás – a companhia prometeu apresentar nesta quarta-feira, 22, os dados de 2014 com aval de auditoria independente. 

“Foi uma decisão política”, comentou Salles, para quem os bancos poderiam ter esperado para aprovar os financiamentos após a divulgação do balanço, principal fonte de dados para os bancos analisarem riscos e decidirem emprestar. “A coisa deveria ser feita de forma mais técnica”, completou. 

Uma fonte ligada aos bancos públicos ouvida pelo Estado informou que pelo menos uma das operações estava em negociação “há meses”. “Esse tipo de negociação sempre começa três ou quatro meses antes, com uma série de bancos concorrendo”, disse, sob condição de anonimato, destacando que coube à Petrobrás divulgar os novos empréstimos antes da apresentação do balanço.

Do ponto de vista do risco de crédito, segundo Salles, a possibilidade de um calote não é o maior problema de emprestar para a Petrobrás. 

Lava Jato. Apesar das dificuldades (por causa da Operação Lava Jato, da queda na cotação internacional do petróleo e da alta do dólar), a estatal é boa geradora de caixa e, em último caso, antes de dar calote, pode ser socorrida pelo Tesouro Nacional. Outro analista especializado no setor bancário concorda com a análise. 

Esse profissional, que não quis ter o nome divulgado, destacou, por sua vez, que os técnicos dos bancos recebem balancetes mensais dos clientes que pedem crédito e, por isso, têm informações mais atualizadas do que os balanços trimestrais, olhados pelos analistas de mercado que avaliam as companhias para recomendar – ou não – o investimento em ações. 

Cruzando estimativas da Moody’s e de analistas do banco UBS, os R$ 72,5 bilhões comprometidos com a Petrobrás pelos bancos públicos seriam divididos em R$ 41,7 bilhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), R$ 19,5 bilhões do BB e R$ 11,3 bilhões da Caixa, como revelou em março o Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado. Com os empréstimos de sexta-feira, os valores subiriam para R$ 24 bilhões (BB) e R$ 13,3 bilhões (Caixa). 

Procurados, o Bradesco e a Caixa não comentaram as concessões dos empréstimos. O BB informou, por meio da assessoria de imprensa, que a operação de sexta-feira “atende a todos os requisitos da política de crédito do banco e está adequada aos limites definidos para a empresa e para o setor”. 

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