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Dívida de curto prazo fica US$ 11 bi maior

Aumento deve-se a operações cujo objetivo é lucrar com o juro alto do Brasil

Lu Aiko Otta, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

07 de julho de 2024 | 00h00

A combinação de dólar barato com juros internos elevados continua pressionando as contas externas. Em junho, segundo dados divulgados pelo Banco Central (BC), a dívida externa chegou a US$ 196,429 bilhões, um aumento de US$ 12,1 bilhões ante maio. Desse total, US$ 11 bilhões ocorreram na dívida de curto prazo, onde se incluem operações em que se captam recursos no exterior para aplicar em juros no Brasil. Na dívida de curto prazo, há uma parcela que se refere a financiamentos do comércio exterior. Existe outra parte que são operações variadas que, de forma simplificada, buscam dinheiro no exterior, onde o juro é baixo, para aplicar no Brasil, onde a taxa é alta. Essas operações são apontadas por exportadores como as responsáveis pela queda do dólar ante o real.O chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, reconheceu que as estatísticas não permitem separar o que é dívida decorrente do aumento do comércio exterior e o que é operação puramente financeira. Para ele, essas operações com o câmbio estão diminuindo, depois das "medidas prudenciais" de junho.O ponto principal foi a redução, à metade, da exposição dos bancos em operações em câmbio, de 60% para 30% do patrimônio de referência. Com isso, o BC procurou restringir operações dos bancos consideradas especulativas. Como reflexo, a posição vendida dos bancos em câmbio - indicador das operações de maior risco - está caindo, embora ainda esteja relativamente alta. No dia 20, essa posição estava em US$ 5,290 bilhões, ante US$ 7,278 em junho e US$ 15,790 bilhões em maio.A dívida externa subiu também na parcela de médio e longo prazos, onde a elevação foi de US$ 1 bilhão de maio para junho. Aproveitando a melhora da avaliação de risco do Brasil, as empresas brasileiras e o Tesouro Nacional captaram mais recursos no exterior. O principal fator para o aumento dessa parcela da dívida, em junho, foi a reabertura dos bônus do Tesouro denominados em reais com prazo de vencimento em 2028, de R$ 750 milhões (US$ 393 milhões). A facilidade de obter empréstimos no exterior faz com que a taxa de rolagem das dívidas continue elevada. Na dívida de médio e longo prazos, em julho, até ontem, ela estava em 448%, ou seja, além de renovarem as dívidas antigas, empresas e bancos contraíram novos débitos. Nas operações com bônus, notes e commercial papers a taxa era de 538%, enquanto os empréstimos diretos têm taxa de rolagem de 100%. Altamir avaliou que a rolagem elevada, combinada com os investimentos estrangeiros diretos de US$ 3 bilhões em julho (resultado parcial até ontem) está sendo decisiva para o fluxo financeiro registrar saldo positivo neste mês.

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