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Dívida de Itaipu deve ser discutida na semana que vem

O governo brasileiro proporá ao Paraguai uma nova reunião, na semana que vem, para discutir o pedido do país vizinho de retirar o efeito da inflação americana no serviço da dívida de Itaipu Binacional. Após discutir na segunda-feira o assunto com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau, disse que a idéia é marcar a reunião para a terça ou quarta-feira da semana que vem, em Foz do Iguaçu (PR).A data, porém, precisa ser acertada com os paraguaios, que queriamrealizar o encontro na quinta ou na sexta-feira desta semana. Mas,segundo Rondeau, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, não poderiaparticipar da conversa nas datas desejadas por Assunção.No fim de julho, Mantega e Rondeau reuniram-se em Foz do Iguaçu com os ministros paraguaios da Fazenda, Ernst Bergen, e de Obras Públicas e Comunicações Panfilo Benitez, mas não houve acordo.O governo brasileiro resiste ao pedido paraguaio de desvincular a dívida da inflação americana. Os paraguaios queixam-se que esse mecanismo representa uma "dupla indexação" da dívida que eles têm por conta da construção da usina. A dívida total de Itaipu Binacional supera a casa dos US$ 19 bilhões e um dos maiores credores, com cerca de um terço desse total, é a estatal brasileira Eletrobras.Fator de ajuste O mecanismo criticado pelos paraguaios é conhecido como "fator deajuste" e foi aprovado pelos dois países na renegociação da dívidainiciada em 1996 e concluída no ano seguinte. Por meio desseinstrumento, uma média da inflação do varejo e do atacado nos Estados Unidos é somada aos juros das duas parcelas da dívida da usina, uma de 7,5% ao ano e outra de 4,1% anuais.Rondeau já disse, em outras ocasiões, que, no fundo, o principalobjetivo do governo do presidente Nicanor Duarte é fazer com que a usina gere recursos adicionais para um fundo de desenvolvimento social compartilhado entre os dois países.Contrapropostas Como resiste a desindexar a dívida, o governo brasileiro apresentoualgumas contrapropostas aos paraguaios, como aumentar de US$ 15 milhões para aproximadamente US$ 20 milhões por ano (metade para cada país) os recursos liberados pela usina a esse fundo de desenvolvimento social, incluindo esse aumento no orçamento da empresa."Nossa idéia é continuar negociando com o intuito de tentar flexibilizar o efeito do fator de ajuste no serviço da dívida de Itaipu", disse Rondeau.

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