Dívida do Aerus pode aumentar até 30%

A dívida do fundo de pensão Aerus, responsável pela aposentadoria de cerca de 15 mil funcionários da Varig, poderá aumentar de R$ 2,3 bilhões para quase R$ 3 bilhões. O recálculo está sendo feito e o número oficial deverá ser conhecido na semana que vem, informa o Aerus. O motivo do aumento é a falta de repasses de dinheiro da companhia aérea, o que obrigou o fundo a fazer novos cálculos do seu déficit e de todas as reservas que possui.Em janeiro do ano que vem, os 6.732 funcionários da Varig que participam do plano 1 (de benefício definido) receberão 50% do valor que têm direito. Para os 8.345 trabalhadores que integram o plano 2 (contribuição definida) serão antecipados 70% do valor total a receber. Essas antecipações serão possíveis porque este ano o Aerus vendeu, por cerca de R$ 30 milhões, sua participação no shopping ABC, localizado em São Paulo. De acordo com o Aerus, o plano 1 deveria ter reservas da ordem de R$ 1,4 bilhão. No entanto, só conta atualmente com R$ 170 milhões,. o que significa uma cobertura de 9%. Já o plano 2 deveria ter R$ 949 milhões, mas dispõe atualmente de R$ 567 milhões, ou cobertura de 43%.Os planos 1 e 2 da Varig estão em liquidação extra-judicial desde o dia 12 de abril deste ano. O processo está sendo conduzido pela Secretaria de Previdência Complementar (SPC). A liquidação de um fundo de pensão tem três fases, explica o Aerus: formação do quadro geral de credores, realização do ativo (venda de todas as aplicações financeiras em nome da Varig) e liquidação do passivo. O Aerus está atualmente na segunda fase.A VarigLog, que arrematou a Varig por US$ 20 milhões mais obrigações de US$ 485 milhões, planeja pagar R$ 24 milhões para o Aerus para recomprar 5% das ações da própria ex-subsidiária que foram dadas como garantia ao fundo em 2003, quando a dívida da sua principal patrocinadora foi repactuada. Além disso, o fundo tem como garantia parte do que a Varig tem a receber por meio de ações judiciais que cobram o ressarcimento de perdas com o congelamento de tarifas entre os anos 80 e 90, em torno de R$ 4,5 bilhões.

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