Dívida do governo em títulos cresce 2,25% em junho

A dívida pública mobiliária federal fechou o mês de junho em R$ 653,75 bilhões. De acordo com o relatório divulgado hoje pelo Banco Central e o Tesouro Nacional houve uma elevação de 2,25% ou R$ 14,36 bilhões na dívida, em relação ao fechamento de maio, quando o estoque de débitos em títulos do governo federal somava R$ 639,39 bilhões. Esse crescimento foi puxado basicamente pela desvalorização cambial de 12,78% ocorrida ao longo de junho. Além de aumentar o estoque da dívida, a desvalorização também teve efeito no aumento da parcela desses débitos que está exposta à variação cambial. Do total da dívida, 33,15% são compostos por papéis que têm rentabilidade atrelada à variação do câmbio. Em maio, essa parcela era de 30,29%. As operações de troca de títulos de prazo mais longo por papéis mais curto acabou reduzindo o prazo médio do estoque da dívida mobiliária, que caiu de 35,12 meses para 32,86 meses. Essas operações de troca também elevaram o volume de vencimentos de curto prazo. De acordo com o documento, 32,67% do estoque da dívida vencem nos próximos 12 meses. Em maio, esses vencimentos de curto prazo eram de 27,76%. ResgateO Tesouro Nacional e o Banco Central (BC) fizeram um resgate líquido de R$ 14,4 bilhões em junho. Os vencimentos em títulos do mês passado somavam R$ 20,9 bilhões mas o governo só rolou R$ 6,4 bilhões. Se não fosse esse resgate líquido, o estoque da dívida teria aumentado, de maio para junho, quase R$ 29 bilhões. Além dos vencimentos previstos, foram feitas diversas operações de troca de títulos de prazo longo por papéis mais curtos o que resultou num aumento dos vencimentos de curto prazo e no encurtamento do prazo médio do estoque da dívida. De acordo com o relatório da dívida divulgado esta manhã, ao longo de junho foram feitas 12 operações de troca de LFT e três de troca de NTN-D, totalizando R$ 46,8 bilhões e R$ 6,9 bilhões, respectivamente. O BC fez ainda uma operação de swap, no valor de R$ 6,2 bilhões, para rolagem de vencimentos em títulos cambiais. As trocas de LFTs foram feitas, basicamente, em três etapas. Inicialmente, foram trocados R$ 24,2 bilhões em títulos com vencimento em 2004, 2005 e 2006 por outros com resgate em 2003. Depois, foram trocados R$ 5,1 bilhões de LFTs com vencimentos em 2004, 2005 e 2006 foram trocados por títulos com vencimento em 2002. Por último, o governo trocou R$ 17,4 bilhões de LFTs de 2003 por papéis com resgate também em 2002. Pelo lado dos papéis cambiais, foram feitas duas trocas de títulos com vencimento em 2004 e 2005 por papéis com resgate em 2003, no montante de R$ 4 bilhões, e uma outra operação de R$ 2,9 bilhões envolvendo a troca de papéis com vencimento em 2004 e 2005 por outros com resgate este ano. Houve pouca variação na composição do estoque da dívida pública mobiliária. Dos R$ 653,75 bilhões, 8,60% são representados por títulos prefixados e 47,07% por pós-fixados. Em maio, os prefixados somavam 9,54% do total da dívida enquanto que os pós-fixados somavam 48,92%. A alteração mais expressiva ocorreu em relação a parcela da dívida exposta à variação cambial que passou de 30,29% para 33,15% do total. As instituições nacionais foram as grandes compradoras de títulos públicos no mês passado. Do total ofertado pelo governo, 72,84% foram adquiridos pelas instituições nacionais e os 27,16% restantes pelas estrangeiras. Somente na oferta de títulos cambiais - as NTN-Ds - é que os bancos estrangeiros compraram mais do que os nacionais. Neste caso, da oferta feita pelo governo em junho, 69,77% dos papéis ficaram nas mãos dos estrangeiros e os 30,23% restantes com os nacionais.

Agencia Estado,

17 de julho de 2002 | 11h23

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