Dívida do governo em títulos sobe, mas fica abaixo da meta

A dívida interna em títulos do governo federal cresceu R$ 113,84 bilhões ao longo de 2006, saltando de R$ 979,66 bilhões para R$ 1,093 trilhão. Mesmo com a elevação, o valor ficou abaixo da meta estabelecida pelo Tesouro Nacional no Plano Anual de Financiamento (PAF), entre R$ 1,13 trilhão e R$ 1,20 trilhão. O crescimento em 2006 foi menor do que o verificado de 2004 para 2005, quando o estoque subiu R$ 169,4 bilhões. Segundo o coordenador-geral da dívida pública, Ronnie Tavares, o crescimento nominal da dívida interna é natural em um ambiente em que o setor público tem déficit nominal (despesas incluindo juros maiores que as receitas). "É algo que naturalmente ocorre enquanto o governo tiver déficit nominal. O governo cobre esse déficit com emissão de títulos, por isso a dívida cresce", disse Tavares. Ele argumentou, entretanto, que o crescimento nominal da dívida não é o indicador mais importante. "A dívida líquida é o melhor indicador e essa vem caindo", disse o coordenador.A dívida pública mobiliária federal interna encerrou 2006 com um prazo médio de 31,06 meses, muito próximo do piso do intervalo definido no PAF, que era de 30 meses. Em novembro, o prazo médio estava em 30,96 meses e em dezembro de 2005, 27,37 meses. Tavares destacou que, em 2006, pela primeira vez desde 2001, o prazo médio da dívida fechou o ano com crescimento em relação ao ano anterior. "Não só revertemos uma tendência como a magnitude do crescimento foi considerável", afirmou ele. Tavares destacou que o prazo médio alcançado em 2006 não é o maior da série, mas o avanço verificado no passado foi "significativo".Segundo ele, o aumento do prazo médio é reflexo do alongamento dos prazos de emissões dos títulos ofertados em leilão e da conjuntura favorável interna e externa para a economia brasileira. Tavares ressaltou que o prazo médio de emissão dos títulos prefixados fechou 2006 no maior valor da história: 23,32 meses. A parcela da dívida a vencer em 12 meses fechou 2006 em 35,67% do total da dívida, correspondente a R$ 390,05 bilhões. Esse porcentual ficou muito próximo do teto definido no PAF para esse indicador, que era de 36%. Em novembro, a dívida a vencer em 12 meses representava 34,93% do total e em dezembro de 2005, 41,64%. De novembro a dezembro, a dívida subiu de R$ 1,081 trilhão para R$ 1,093 trilhão. De um mês para o outro, a dívida teve um aumento de R$ 11,84 bilhões. Todo esse aumento foi devido ao impacto da correção dos juros no estoque da dívida, já que no mês houve um resgate líquido de títulos de R$ 83 milhões. O impacto total de juros no mês foi de R$ 11,92 bilhões.JurosO Tesouro Nacional informou que o impacto dos juros no estoque da dívida mobiliária federal interna em 2006 foi de R$ 142,1 bilhões. Em 2006, o Tesouro e o BC fizeram um resgate líquido de títulos de R$ 28,262 bilhões, que refletiu emissão de R$ 503,712 bilhões para o resgate de R$ 531,974 bilhões. Ao longo de 2006 a dívida cresceu R$ 113,832 bilhões, para R$ 1,093 trilhão. Em 2005, a dívida cresceu mais do que em 2006, ou R$ 169,398 para R$ 979,66 bilhões. Mas em 2005, ao contrário de 2006, o Tesouro e o BC fizeram uma emissão líquida de R$ 28,457 bilhões decorrente de uma captação total de R$ 540,714 bilhões e um resgate de R$ 512,257 bilhões. O impacto dos juros em 2005 foi de R$ 140,941 bilhões, o equivalente a 15,57% do estoque médio da dívida mobiliária federal interna. Em 2006, o impacto dos juros correspondeu a 13,77% do estoque médio da dívida. PrefixadosO coordenador da dívida pública do Tesouro Nacional, Ronnie Tavares, previu nesta quarta-feira que, ao final do primeiro semestre de 2007, os papéis prefixados já responderão pela maior parcela da dívida interna mobiliária do governo federal. Ele destacou que a parcela prefixada fechou 2006 em 36,13%, porcentual muito próximo ao da participação dos títulos corrigidos pela taxa básica de juros, a Selic (atualmente em 13,25% ao ano), de 37,83%. Segundo ele, a queda da parcela pós-fixada da dívida foi "bastante expressiva". O coordenador observou que o aumento da parcela de títulos prefixados e atrelados a índices de preço é importante porque esses papéis servem de "hedge (proteção contra riscos) natural" para a gestão da dívida. E destacou que os papéis prefixados trazem previsibilidade para o gerenciamento da dívida, enquanto os de índices de preço estão relacionados com a própria receita do governo, que sofre forte impacto da inflação. Tavares disse que, somadas, as parcelas de papéis prefixados e a de índices de preços, representam em 2006 58,67% do total da dívida, porcentual superior ao total dos pós-fixados e cambiais, considerados de maior risco para a gestão da dívida. Tavares avaliou que o ano de 2006 foi muito "proveitoso" para o gerenciamento da dívida. E que os indicadores de prazo médio e parcela a vencer em 12 meses, bastante observados pelas agências de classificação de risco, fecharam o ano mostrando uma clara redução no risco de financiamento da dívida. Ele disse que, no ano passado, a dívida mostrou resultados bastante satisfatórios e outros razoáveis. O coordenador considerou como positivo o aumento da participação dos papéis prefixados e a queda da parcela das LFTs, abaixo do piso da meta estabelecida pelo PAF. Como bastante razoável, ele considerou a elevação da parcela de títulos atreladas a índices de preços. Quanto ao prazo médio, Tavares destacou que houve uma melhora, notadamente devido ao alongamento do prazo dos papéis ofertados pelo Tesouro nos leilões primários. ConfiançaO coordenador da Dívida Pública do Tesouro destacou que com o aumento da confiança na economia brasileira fez com que os investidores passassem a ter um apetite maior por risco comprando cada vez mais títulos com prazos mais longos. Segundo ele, o aumento da confiança veio acompanhado de uma conjuntura extremamente favorável interna e externa: ampla liquidez de recursos no mercado internacional; relativa estabilidade nas taxas de juros externas; redução da inflação com convergência para a banda inferior da meta e queda expressiva da taxa de juros. "Isso fez com que os investidores tivessem mais apetite pelo alongamento", disse.O chefe do Departamento de Operações de Mercado Aberto (Demab) do Banco Central, Ivan de Oliveira Lima, acrescentou que a "ancoragem" das expectativas de inflação abaixo do centro da meta trouxe confiança com o futuro. Essa confiança, disse ele, faz com que os investidores não tenham "medo" da volta da inflação. Ele também acrescentou como fator favorável a estabilidade da taxa de câmbio. "Esses fatores criaram um clima mais favorável para o alongamento à medida que há mais credibilidade em relação ao futuro da política monetária brasileira", disse Oliveira Lima. Matéria alterada às 14h06 para acréscimo de informações

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