Rafael Neddermeyeri/Fotos públicas
Rafael Neddermeyeri/Fotos públicas

Dívida do País atinge recorde de 73,7% do PIB

Em agosto, endividamento bruto chegou a R$ 4,769 trilhões; em dezembro de 2013, no melhor momento da série do BC, porcentual era de 51,5% do PIB

Fabrício de Castro e Lorenna Rodrigues, O Estado de S.Paulo

29 Setembro 2017 | 23h33

BRASÍLIA – O rombo nas contas do governo fez a dívida bruta do País atingir RS 4,769 trilhões em agosto, o equivalente a 73,7% do Produto Interno Bruto (PIB). O porcentual é recorde na série histórica do Banco Central, que começou em dezembro de 2006. No melhor momento da série, em dezembro de 2013, a dívida bruta chegou a 51,5% do PIB.

Desde que a crise econômica se aprofundou, a partir de 2015, os governos têm tido mais dificuldades para fechar as contas. Os números do BC mostraram que, em agosto, o déficit primário (resultado das contas públicas antes do pagamento dos juros da dívida) do setor público – que reúne governo central (Tesouro, BC e Previdência Social), Estados, municípios e estatais (sem Petrobrás e Eletrobrás) – foi de R$ 9,53 bilhões.

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Esse rombo foi menor que o déficit de R$ 16,14 bilhões visto em julho ou que o resultado negativo de R$ 22,27 bilhões de agosto do ano passado. Mas continua indicando que o governo tem mais despesas do que receitas. No acumulado de 2017 até agosto, o déficit primário já chega a R$ 60,85 bilhões.

A maior parte desse número é explicada pela Previdência que, sozinha, teve rombo de R$ 16,89 bilhões em agosto e acumula déficit de R$ 113,27 bilhões em 2017. É por conta do descasamento entre receitas e despesas que o governo de Michel Temer tem defendido que a reforma do INSS seja feita.

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Enquanto ela não vem, os sucessivos déficits primários estão engordando a dívida bruta do governo geral – que reúne governos federal, estaduais e municipais, excluindo Banco Central e estatais. Ontem o BC informou que projeta uma dívida bruta de 76,2% do PIB no fim de 2017. O porcentual é menor que os 77,5% estimados antes, porque a previsão de devolução de R$ 50 bilhões do BNDES ao Tesouro, até o fim do ano, vai ajudar a abater um pouco a dívida. Mas a escalada ainda preocupa.

“Não tem um horizonte razoável para a dívida bruta. Continua muito ruim, mesmo supondo que teremos um governo reformista e comprometido com os ajustes”, disse o economista Bruno Lavieri, da 4E Consultoria. Segundo ele, os pagamentos antecipados do BNDES ao Tesouro “ajudam a ganhar tempo”, mas não resolvem as dificuldades. “É como jogar um balde d’água numa piscina vazia. Ganha-se algum tempo, mas é pouco.” Lavieri projeta uma dívida bruta acima de 90% do PIB até 2023.

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A dívida líquida do setor público, que também leva em conta ativos que o governo possui, como as reservas internacionais, atingiu R$ 3,246 trilhões em agosto, ou 50,2% do PIB. /COLABORARAM ALTAMIRO SILVA JUNIOR E CAIO RINALDI

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