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Dívida do Plano Cruzado pode falir Dafferner

Ímóvel que abriga fábrica de máquinas gráficas vai a leilão hoje para cobrir débitos

José Maria Tomazela, SÃO CARLOS, O Estadao de S.Paulo

26 de agosto de 2009 | 00h00

Uma das principais fabricantes de máquinas gráficas do País, a Dafferner, de Sorocaba (SP), terá sua fábrica leiloada hoje para pagamento de uma dívida originada no Plano Cruzado. Se houver um lance que atinja pelo menos 50% do valor da avaliação, de R$ 26 milhões, a empresa, com 240 funcionários, pode fechar. Tudo porque, em 1986, logo após a criação do Plano Cruzado pelo então presidente José Sarney, a Dafferner vendeu uma impressora, recebeu 20% do valor e não entregou a máquina. O plano tinha fracassado e, com a volta da inflação, a empresa alegou que não podia fazer a máquina pelo preço acertado. O comprador, o empresário Coroliano Morato Ferraz Meirelles, de São Carlos, não quis receber o dinheiro de volta sem correção. Desde então, o processo tramita na 23ª Vara Cível de São Paulo. Hoje, o mesmo equipamento custa R$ 650 mil, mas a dívida com Meirelles passa dos R$ 10 milhões, dos quais R$ 3,5 milhões já foram pagos - a Dafferner desembolsou esse dinheiro para recomprar seu próprio prédio de escritórios, em São Paulo, que já foi a leilão. O caso atravessou sem solução vários planos econômicos e as gestões de cinco presidentes. Os volumes do processo e dos 69 recursos formam uma pilha com quase três metros de altura. As duas partes se dizem injustiçadas. Meirelles alega que, por não ter recebido a máquina na época, foi obrigado a fechar sua gráfica em São Carlos - uma empresa familiar fundada em 1912. O fechamento da empresa e a demora do processo o levaram a pedir indenização por lucro cessante.O presidente da Dafferner, Walter Dafferner, diz que a impressora não foi entregue porque, com a disparada da inflação, os fornecedores suspenderam a entrega de peças e passaram a exigir reajuste nos preços. "Propusemos o repasse do reajuste ou o cancelamento do pedido com a devolução da importância paga, mas não houve acordo." Meirelles diz ter desembolsado o equivalente a US$ 120 mil - a Dafferner diz, no entanto, que ele pagou US$ 37,5 mil. Apenas dez anos depois a Justiça determinou a devolução do dinheiro corrigido, mais o lucro cessante. A Dafferner pagou US$ 141,6 mil e embargou a execução do resto.Meirelles diz que só recebeu parte do débito depois de penhorar a sede da Dafferner e a fábrica da empresa. Já a Dafferner entrou com ação para contestar os cálculos da dívida. Para a empresa, o débito já foi devidamente quitado.

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