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Dívida do setor sucroalcooleiro ultrapassa R$ 60 bi

André Rocha, presidente do Fórum Nacional Sucroenergético, revelou o montante em evento do setor, em São Paulo

José Roberto Gomes, Carla Araújo, O Estado de S.Paulo

03 de junho de 2014 | 02h02

O presidente do Fórum Nacional Sucroenergético, André Rocha, disse ontem que o endividamento do setor já supera os R$ 60 bilhões. "É mais de R$ 100 por tonelada de cana", afirmou durante a cerimônia do 5° Prêmio TOP Etanol, realizado em São Paulo.

Ainda de acordo com ele, as dificuldades pelas quais passa o setor sucroalcooleiro fizeram com que a indústria de base perdesse 40% de seu faturamento nos últimos anos, além de impactar na economia de municípios como Sertãozinho, Jaú e Piracicaba, todos no interior do Estado de São Paulo. "(O governo) está acabando com a mais verde e amarela das tecnologias brasileiras", disse, destacando que o biocombustível tem pouca competitividade ante a gasolina, que é subsidiada.

Recuperação judicial. A crise pela qual o setor sucroalcooleiro passa já levou 44 usinas a entrar com pedido de recuperação judicial, segundo informou no fim de março o diretor técnico da União da Indústria da Cana-de-açúcar (Unica), Antonio de Padua Rodrigues. A entidade representa 130 usinas de açúcar e álcool, responsáveis por mais de 50% do etanol e 60% do açúcar produzidos no Brasil.

De acordo com um relatório recente da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), divulgado pela Unica, seria possível aumentar a oferta de etanol, se tivesse mais cana para processar. O problema, aponta a Unica, é que produzir mais etanol na atual conjuntura exigiria investimentos que muitas empresas não conseguiriam bancar.

Além disso, o etanol, o queridinho estratégico brasileiro, fundamental na recuperação dessa engrenagem, está saindo da fábrica ao preço de R$ 1,20 o litro, enquanto o custo de produção já alcança R$ 1,25. E mais: na bomba, o consumidor quase não vê diferença entre álcool e gasolina, o que detona o discurso do flex e o caixa de usinas, destilarias e canavieiros.

No fim de abril, de acordo com um relatório preliminar do banco Itaú BBA, para o setor de açúcar e etanol, o endividamento do setor sucroalcooleiro havia atingido R$ 42,42 bilhões na safra de 2013/2014, encerrada em março, alta de 8% sobre a dívida de R$ 39,26 bilhões da safra anterior.

Dívida. No entanto, com o aumento da produção, a dívida por tonelada de cana processada havia recuado de R$ 104 para R$ 99, informou o relatório, com base numa avaliação preliminar no setor feita com dados de 65 grupos, capazes de processar 429 milhões de toneladas por safra, ou 72% da moagem do Centro-Sul do País.

Desde 2003, diz o estudo, o endividamento cresceu 19 vezes e a produção pouco mais que dobrou. Entre os grupos avaliados, apenas 12 tinham situação considerada boa, com operação ajustada a baixa alavancagem. Outros 35 estavam em situação mediana e 18 tinham "operação muito ruim e alavancagem alta".

Curiosamente, diz o relatório do Itaú BBA, o cenário de crise pode incentivar uma retomada nas fusões e aquisições de usinas, após apenas quatro operações nos últimos dois anos.

Ontem à noite, dois pré-candidatos à presidência, Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSD), apresentaram suas propostas para o setor durante a cerimônia do 5° Prêmio TOP Etanol, realizado em São Paulo.

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