Dívida dos EUA derruba mercados

Bolsas caem com alerta da agência de risco Standard & Poor’s sobre a dívida dos EUA e crescente desconfiança em relação a Grécia e Portugal

Jamil Chade, correspondente de O Estado de S.Paulo,

18 de abril de 2011 | 23h00

A agência de classificação de risco Standard & Poor’s (S&P) fez um duro alerta na segunda-feira, 18, sobre a dívida dos Estados Unidos. Pela primeira vez desde que começou a analisar os títulos da dívida, há 70 anos, a S&P colocou a nota americana em perspectiva negativa. Os EUA podem perder o status de AAA se um plano de redução do déficit orçamentário não for encontrado até 2013.

O alerta da S&P e a crescente desconfiança sobre a capacidade da Grécia de honrar suas dívidas, além das dúvidas sobre o pacote de resgate de Portugal, provocaram nervosismo no mercado financeiro. As bolsas caíram em todo o mundo. Em Nova York, o índice Dow Jones caiu 1,14%, em Londres, as ações recuaram 1,9%. No Brasil, o índice Bovespa também caiu 1,9% e fechou aos 65.415 pontos.

A decisão da S&P mudou o foco das preocupações dos investidores. Depois de gastar bilhões de dólares para resgatar bancos e o setor automotivo, garantir empregos e salvar economias inteiras, os países ricos se depararam com outra crise, a da dívida. Por meses, o mercado concentrou sua preocupação sobre a Europa. Dois países já tiveram de recorrer ao Fundo Monetário Internacional (FMI) e Portugal segue o mesmo caminho.

Ontem, porém, o foco da preocupação se mudou para o outro lado do Atlântico. O rebaixamento da perspectiva de "estável" para "negativa" pode significar um primeiro passo para um rebaixamento da nota do país. Investidores estrangeiros têm o equivalente a US$ 9 trilhões em papéis da dívida americana e manter o triplo A é essencial para que os mercados de fundos de pensão apostem na dívida americana.

"Os Estados Unidos têm o que nós consideramos um grande déficit orçamentário e crescente endividamento do governo e o caminho para resolver esses problemas não está claro para nós", disse a agência em uma nota.

Em Washington, o governo de Barack Obama se apressou em declarar que a S&P estaria subestimando a capacidade do governo de concluir seu plano de cortes de gastos. Seu projeto prevê a redução de gastos de US$ 4 trilhões em 12 anos. Para o conselheiro econômico de Obama, Austan Goolsbee, a avaliação da agência é um "julgamento político" e não "merece muito peso".

Obama apresentou quarta-feira sua estratégia contra o déficit e a dívida, que enfrenta oposição do Partido Republicano. Obama quer manter benefícios sociais e aumentar impostos dos americanos mais ricos. Os republicanos querem privatizar certos programas sociais e reduzir impostos.

Republicanos e democratas usaram o anúncio da S&P para justificar suas posições. A oposição também fala em US$ 4 trilhões em cortes. Mas quer que a meta seja atingida em dez anos. Os republicanos ainda indicaram que a mudança da S&P estaria ligada ao debate sobre um novo teto da dívida, um limite para o endividamento do país. (Com Agências Internacionais) 

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