Dívida dos EUA derruba mercados

Bolsas caem com alerta da agência de risco Standard & Poor's sobre a dívida dos EUA e crescente desconfiança em relação a Grécia e Portugal

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

19 de abril de 2011 | 00h00

CORRESPONDENTE / GENEBRA

A agência de classificação de risco Standard & Poor"s (S&P) fez um duro alerta ontem sobre a dívida dos Estados Unidos. Pela primeira vez desde que começou a analisar os títulos da dívida, há 70 anos, a S&P colocou a nota americana em perspectiva negativa. Os EUA podem perder o status de AAA se um plano de redução do déficit orçamentário não for encontrado até 2013.

O alerta da S&P e a crescente desconfiança sobre a capacidade de a Grécia honrar suas dívidas, além das dúvidas sobre o pacote de resgate de Portugal, provocaram nervosismo no mercado financeiro. As bolsas caíram em todo o mundo. Em Nova York, o Dow Jones caiu 1,14%, em Londres, a queda foi de 1,9%. No Brasil, o índice Bovespa também caiu 1,9%.

A decisão da S&P mudou o foco das preocupações dos investidores. Depois de gastar bilhões de dólares para resgatar bancos e o setor automotivo, garantir empregos e salvar economias inteiras, os países ricos se depararam com outra crise, a da dívida. Por meses, o mercado concentrou a preocupação sobre a Europa. Ontem, porém, as atenções se voltaram para o outro lado do Atlântico.

O rebaixamento da perspectiva de "estável" para "negativa" pode significar um primeiro passo para um rebaixamento da nota dos EUA. Investidores estrangeiros têm o equivalente a US$ 9 trilhões em papéis da dívida americana e manter o triplo A é essencial para que os mercados de fundos de pensão apostem na dívida americana.

"Os Estados Unidos têm o que nós consideramos um grande déficit orçamentário e crescente endividamento do governo e o caminho para resolver esses problemas não está claro para nós", disse a agência em uma nota.

Em Washington, o governo de Barack Obama se apressou em declarar que a S&P estaria subestimando a capacidade do governo de concluir seu plano de cortes de gastos. Seu projeto prevê a redução de gastos de US$ 4 trilhões em 12 anos. Para o conselheiro econômico de Obama, Austan Goolsbee, a avaliação da agência é um "julgamento político" e não "merece muito peso". Os republicanos da Câmara aprovaram um plano que prevê corte de US$ 5,8 trilhões em dez anos.

Segundo a S&P, um dos maiores obstáculos para os EUA será uma acordo entre governo e oposição para a aprovação do orçamento de 2013. Na semana retrasada, a administração americana quase parou porque os dois lados não chegavam a um denominador comum sobre os cortes.

Para os republicanos, a mudança da S&P também estaria ligada ao debate sobre um novo teto da dívida, um limite para o endividamento do país. O Departamento do Tesouro afirma que os EUA excederão o atual limite, fixado em US$ 14,3 trilhões até meados de maio, e alerta que a dívida do governo americano poderá entrar em default no começo de julho se nenhuma ação for tomada. / COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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