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Dívida dos países da UE já alcança € 11 trilhões

Endividamento é o maior da história do bloco; programas de austeridade não inverteram essa tendência, alerta Eurostat

ANDREI NETTO, CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

23 de abril de 2013 | 02h07

Os 27 países da União Europeia devem juntos € 11 trilhões aos credores, o equivalente a 90,6% do Produto Interno Bruto (PIB) da região. Mesmo com as medidas de austeridade, a dívida subiu 5,5% nos últimos 12 meses. O aumento do peso das obrigações soberanas já eleva a pressão sobre a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, que vem sendo cada vez mais criticada pela suposta ineficiência da política de rigor fiscal.

Os dados foram divulgados ontem, em Bruxelas, pelo Escritório Estatístico das Comunidades Europeias (Eurostat). Segundo o levantamento, a dívida total da UE chegou em 2012 a € 11,01 trilhões, 10,7% superior ao registrado em 2009.

Sem surpresas, é da Grécia o recorde de endividamento: 156,9% do PIB, ainda muito acima da projeção de sustentabilidade feita pelo Banco Central Europeu e pelo Fundo Monetário Internacional, de no máximo 127% do PIB. O patamar exato onde está a Itália, mas sua capacidade de endividamento é mais elevada do que a grega. O pódio é completado por Portugal, com 123,6%, à frente da Irlanda, com 117,6%. Dos quatro países com pior relação dívida/PIB, só o governo italiano não precisou até aqui ser socorrido.

Além desses 4, outros 10 governos registraram dívidas acima dos 60% do PIB autorizados pelo Tratado de Maastricht, o acordo que estabelece os padrões mínimos de desempenho dos membros da União Europeia. A boa notícia é que o déficit público médio na UE caiu de 4,4% em 2011 a 4% do PIB no ano passado, embora a situação ainda seja crítica em países como a Espanha, onde o buraco nas contas públicas chegou a 10,6%, o mais elevado do bloco - à frente da Grécia, com 10%, da Irlanda, com 7,6%, e Portugal, com 6,4%. Nesse critério, apenas sete países respeitaram as normas de Maastricht e registraram menos de 3% do PIB em déficit: Estônia, Suécia, Bulgária, Luxemburgo, Letônia e Itália, além da Alemanha, cujo resultado impressiona: superávit de 0,2% do PIB.

Ritmo. O problema, segundo analistas, é que a redução dos déficits não foi suficiente para inverter a curva das dívidas, que continuam aumentando. Dos 27 países, apenas 6 melhoraram a relação dívida/PIB no último ano, mesmo com todas as medidas de austeridade adotadas pelos governos nacionais.

As estatísticas reforçaram as críticas mais recentes feitas por economistas e empresários à política de rigor fiscal imposta à UE, em grande parte por pressão da Alemanha. Ontem, o diretor-presidente da Pimco, Bill Gross, atacou o rigor na Europa. Em entrevista ao jornal Financial Times, Gross disparou contra governos como o do primeiro-ministro David Cameron, no Reino Unido, que estabeleceram a austeridade como o pilar central da economia.

As críticas na Europa foram reforçadas depois que o relatório do FMI sobre a retomada do crescimento indicou que o grupo dos países desenvolvidos se dividirá em dois, um primeiro com recuperação sólida, liderado pelos Estados Unidos, e outro pela Europa, retardada. / COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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