Dívida é sustentável e alta do dólar é passageira, diz BC

O chefe do Departamento Econômico do Banco Central (Depec BC), Altamir Lopes, afirmou hoje, ao divulgar os números das contas públicas no mês de junho, que o aumento da dívida líquida do setor público no mês refletem basicamente a depreciação cambial verificada no mês, de 12,79%. Segundo dados do BC, a dívida saltou de 55,9% do PIB, em maio, para 58,6% do PIB em junho, atingindo mais uma vez o maior endividamento da história do País. Segundo o chefe do Depec, qualquer movimento da taxa de câmbio, tanto para cima quanto para baixo, tem impacto imediato no estoque da dívida, já que uma grande parcela é indexada à variação da taxa de câmbio. Apesar do aumento, Lopes afirmou que a dívida é sustentável e administrável e que assim como houve um aumento da taxa de câmbio, o movimento de recuo vai refletir na redução da dívida. "Estamos em um momento de volatilidade, que é algo pontual. A tendência é de recuo", justificou Altamir Lopes. Ele acrescentou que todas as projeções em todos os cenários apontam para uma tendência de queda da dívida líquida a médio prazo. Segundo ele, com os superávits primários programados de 3,75% para as contas do setor público este e no próximo ano, a tendência é de uma redução "há muito curto prazo", da dívida. Ele reconheceu, no entanto que se essa situação de estresse do mercado financeiro, que pressiona a taxa de câmbio, persistir por um tempo mais prolongado, vai "demorar um pouco mais para a dívida cair". PreocupaçãoAltamir Lopes admite que existe preocupação com o aumento da dívida líquida do setor pública, em junho. "Claro que a preocupação existe, mas é nesse sentido que estamos perseguindo com tenacidade os superávits primários", afirmou. Segundo o diretor do Depec "pior seria" se as contas do setor público não estivessem registrando superávit. Para Lopes, a alta do dólar, que afeta de imediato a dívida, é passageira. "O que estamos vivenciando no câmbio é passageiro", garantiu. Segundo ele, parte dessa volatilidade se deve ao calendário eleitoral, mas também reflete o cenário externo adverso. Lopes disse que em julho a menor desvalorização do Real, que até ontem estava em 3,7%, e o recuo da Selic devem amenizar o processo de elevação da dívida líquida. Segundo Lopes não haverá um crescimento tão elevado como ocorreu de maio para junho. Ele insistiu em que a atual taxa de câmbio está muito elevada para os fundamentos da economia brasileira. "Os fundamentos estão bons", disse ele, que acredita no recuo da taxa. "Essa taxa reflete a volatilidade do momento, que é passageira", insistiu ele. "A minha expectativa é que se resolva com o passar do tempo", afirmou. "Não podemos estar sempre imaginando o pior dos mundos. Isso vai passar", disse, acrescentando: "Enquanto tivermos essa volatilidade vamos ter que conviver com essa situação". Meta com o FMIO chefe do Depec disse ainda que o descumprimento da meta indicativa para o valor da dívida líquida não traz prejuízos para o relacionamento com o Fundo Monetário Internacional. Lopes lembrou que o que conta no acordo com o Fundo é o resultado primário, que no semestre está R$ 3,9 bilhões acima da meta acertada com o fundo para esse período. Faturamento da PetrobrásAltamir Lopes explicou que o superávit de R$ 2,028 bilhões registrado em junho nas contas das empresas estatais federais deve-se, basicamente, ao aumento do faturamento da Petrobrás. Segundo ele, com o dólar mais alto, as receitas da empresa, consequentemente, aumentaram, já que o petróleo é cotado em dólar. Lopes também informou que o superávit das empresas estatais estaduais, de R$ 657 milhões em junho, foi o maior da série histórica do Banco Central, que começou em 1991. Lopes explicou que esse superávit deve-se ao fato de que as empresas pagaram dívidas externas e, para isso, tiveram que gerar superávit primário. Ele não informou, no entanto, o nome das empresas que tiveram esse superávit.

Agencia Estado,

25 de julho de 2002 | 13h27

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