Paulo Whitaker/Reuters
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Dívida em dólar de emergentes bate recorde e países seguem vulneráveis à tensão comercial

Déficit em moeda estrangeira de países em desenvolvimento atingiu US$ 5,5 trilhões no primeiro trimestre

Altamiro Silva Junior, O Estado de S.Paulo

29 de julho de 2018 | 17h09

O Instituto Internacional de Finanças (IIF), formado pelos 500 maiores bancos do mundo, com sede em Washington, alerta neste domingo que a relativa calmaria no mercado financeiro mundial dos últimos dias pode não durar e os emergentes permanecem vulneráveis à nova valorização do dólar e a mudanças repentinas do apetite por risco dos investidores globais. A dívida em moeda estrangeira destes mercados atingiu no primeiro trimestre o nível recorde de US$ 5,5 trilhões, de acordo com relatório divulgado neste fim de semana, assinado pela diretora do IIF, Sonja Gibbs, e pelo vice-diretor Emre Tiftik.

O mercado financeiro mundial ficou menos volátil nos últimos dias, após as conversas de Washington com a União Europeia para um acordo comercial, mas o quadro de elevada incerteza deve persistir no cenário e nova escalada da tensão entre os parceiros no comércio dos Estados Unidos não está descartada, avalia o IIF. Indicadores têm sinalizado queda nos volumes de comércio entre países e o documento nota que os mercados emergentes têm sido particularmente afetados, mais do que os países desenvolvidos. "Isso evidencia a vulnerabilidade dos emergentes à escalada adicional da tensão comercial", observa o IIF, ressaltando que a queda dos volumes de comércio têm sido mais acentuada nos mercados da Ásia, África e Oriente Médio.

Mesmo que a tensão comercial fique centrada entre a China e os EUA, o IIF nota que há risco para o crescimento econômico mundial, pois os dois países são grandes compradores de produtos de mercados emergentes. Outro risco é afetar os balanços das empresas, com consequências para o desempenho dos papéis nas bolsas de valores, mostra o relatório. A análise do desempenho recente dos índices de ações evidencia que os papéis de empresas que dependem mais dos ciclos econômicos já estão sofrendo mais que outras ações, diz o IIF. "Enquanto a atividade econômica parece estar desacelerando em muitos países, a expansão mundial está se tornando crescentemente menos sincronizada."

O aumento dos custos dos empréstimos nos EUA segue colocando pressão nos emergentes e está afetando alguns mercados mais que outros, segundo o IIF. A Turquia e Argentina, que têm elevado déficit em transação corrente, e portanto dependem mais de recursos externos para se financiar, foram uns dos mais afetados pela recente onda de aversão ao risco e permanecem "bastante vulneráveis" às mudanças de apetite por risco no mercado financeiro mundial.

O IIF nota ainda que a escalada da tensão comercial e o risco desse movimento afetar a atividade já levou a China a adotar um pacote de medidas para estimular a economia, incluindo injeção de recursos nos bancos para estimular o crédito e anúncios para destravar o investimento em infraestrutura. Porém, os chineses estão fazendo isso a um custo de aumentar mais o endividamento, observa o relatório. "Essas medidas podem fornecer alívio temporário e ofuscar parte dos efeitos adversos das tensões relacionadas ao comércio", destaca o IIF. "No entanto, essas políticas expansionistas poderiam, mais uma vez, provocar uma forte acumulação de dívida em todos os setores, como foi o caso do período seguinte à crise financeira mundial."

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