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Dívida externa do setor privado não preocupa analistas

A dívida do setor privado brasileiro com juros e amortizações de empréstimos contraídos no exterior somará US$ 9,4 bilhões de junho a setembro deste ano, praticamente o mesmo volume registrado no mesmo período de 2001, segundo dados do Banco Central. Esse passivo em dólar, vencendo exatamente na fase pré-eleitoral, na qual a tendência é de nervosismo no mercado, com reflexos esperados no câmbio e no risco Brasil, não preocupa os analistas. Eles não apostam em estragos generalizados nas finanças das empresas, exceto nos casos de companhias isoladas que têm receitas em reais, dívidas em dólar e não se protegeram do risco cambial com operações de seguro.Desde o fim do ano passado, após os ataques terroristas aos Estados Unidos, o mercado de captação já vinha se fechando, com custos mais elevados, e as empresas passaram a refinanciar uma fatia menor da dívida externa, entre 60% e 70%, observa o economista do banco BBV, Fernando Honorato Barbosa.Para ele, a tendência é de as empresas continuarem mantendo o baixo nível de renegociação dos débitos e, portanto, quitando parte da dívida sem contrair novos endividamentos com investidores estrangeiros. ?Não vejo agravamento do cenário?, afirma.Além disso, ele pondera que parte da dívida contraída está coberta do risco eleitoral. No primeiro trimestre, 35% das captações foram feitas com cobertura de risco político. Ele explica que se trata de uma apólice de seguro emitida por seguradoras ou bancos estrangeiros contra medidas de controle de capital, caso o País se declare inadimplente.Com esse seguro, os investidores que emprestaram dinheiro para empresas brasileiras garantem por um ano e meio que receberão o pagamento dos juros, a partir da data que a saída de dinheiro do País passe a ser controlada. O grande volume de vencimentos programados para os próximos meses não é uma surpresa para o economista do Lloyds TSB, Eduardo Berger. ?Já era esperada uma concentração de vencimentos da dívida externa no período pré-eleitoral.? Ele explica que, nos últimos tempos, as empresas optaram por fazer captações com prazos mais curtos para evitar ter de desembolsar mais por causa do risco elevado.De acordo com analistas de agências de classificação de risco, o quadro é negativo especialmente para companhias do setor elétrico e de telecomunicações, que têm receitas em reais e dívidas em dólar e tiveram um descasamento de moedas no balanço patrimonial. Na análise de Isacson Casiuch, do banco Brascan, a tendência é de que ocorra uma redução no estoque da dívida das empresas em moeda estrangeira.Isso porque a conjuntura não favorece novos empréstimos e a rolagem de uma grande parcela da dívida já contraída. Ele acredita que as empresas enfrentarão restrições de crédito nos próximos meses não apenas no mercado externo, mas também no interno, tanto em volumes como em preços.

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