Dívida federal atingirá 70% do PIB até o fim de 2011, diz CBO

Escritório de Orçamento do Congresso (CBO) avalia que as autoridades dos EUA podem abalar a já fraca recuperação econômica se adotarem imediatamente cortes de gastos e subirem impostos

Clarissa Mangueira, da Agência estado,

22 de junho de 2011 | 13h21

As autoridades dos EUA podem abalar a já fraca recuperação econômica se adotarem imediatamente cortes de gastos e subirem impostos, segundo o Escritório de Orçamento do Congresso (CBO, na sigla em inglês), embora um acordo sobre um plano fiscal de longo prazo seria benéfico. Em relatório, o CBO alerta que, até o fim deste ano, a dívida federal atingirá cerca de 70% do PIB, o maior porcentual desde pouco depois da Segunda Guerra.

O escritório de pesquisa não partidário do Congresso disse em sua previsão de longo prazo que os enormes déficits orçamentários dos EUA que estão agora sendo debatidos em Washington "provavelmente diminuirão marcadamente" durante os próximos anos à medida que a economia se recuperar e as medidas de estímulo expirarem.

Apesar da previsão, o documento destaca que o rápido crescimento dos gastos em programas de benefícios, como Seguridade Social e saúde, bem como a aposentadoria da geração baby boomers, continuarão a comer uma porção maior do orçamento federal ao longo dos próximos 25 anos.

O CBO afirmou que se as atuais leis forem mantidas, o programa de Seguridade Social e os maiores programas obrigatórios de saúde representarão 15% do PIB dos EUA em 2015, uma alta de 10% em relação à proporção atual. O escritório disse que o gasto total do governo, excluindo o pagamento de juro, foi em média de cerca de 18,5% durante os últimos 40 anos.

"A previsão orçamentária para a próxima década em diante é desanimadora", ressaltou o CBO no relatório.

O governo Obama e os membros republicanos e democratas do Congresso têm debatido por meses como e em qual prazo os EUA deveriam começar a lidar com seus déficits anuais. O vice-presidente, Joe Biden, conduziu recentemente conversações bipartidárias com os principais membros de ambos os partidos para alcançar um acordo para elevar o teto da dívida do governo a fim de evitar um default, bem como adotar um plano fiscal mais amplo e sustentável.

A principal questão para os democratas e republicanos é sobre qual é a melhor forma de alcançar um equilíbrio melhor entre as receitas e os gastos federais. Um número de legisladores, principalmente do conservador partido Republicano, pediram que cortes de gastos imediatos neste ano fossem incluídos em qualquer acordo para aumentar o limite máximo da dívida dos EUA.

Mas o CBO advertiu contra essa abordagem no relatório, argumentando que a execução de "tais mudanças enquanto a atividade econômica e o emprego continuam bem abaixo de seus níveis potenciais poderá desacelerar o crescimento econômico" do país.

Ainda assim, o escritório concordou com a posição do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano, Ben Bernanke, entre outros, que os EUA precisam de um plano fiscal crível de médio e longo prazo para evitar um efeito prejudicial do crescimento dos déficits e um aumento da dívida. O relatório destacou ainda que uma falha em lidar com os níveis de endividamento crescentes restringirá a capacidade dos formuladores de políticas públicas de responder a uma crise econômica, reduções da poupança nacional, e uma potencial diminuição no investimento doméstico. As informações são da Dow Jones.

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