Dívida interna atinge R$ 1,2 trilhão

Despesa com juros e emissão de novos títulos pelo Tesouro explicam o crescimento de 1,73% em novembro

Renata Veríssimo e Adriana Fernandes, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

20 de dezembro de 2007 | 00h00

A contabilização de um total de R$ 12,24 bilhões em juros, mais a emissão de R$ 8,5 bilhões de novos papéis, provocaram um aumento de 1,73% na dívida pública federal em títulos no mês de novembro, elevando o total para R$ 1,219 trilhão. Apesar disso, o estoque do endividamento ainda mostra crescimento menor do que o estimado no Plano Anual de Financiamento (PAF), documento que define a estratégica do Tesouro Nacional na administração da dívida. O PAF prevê que a dívida terminará o ano entre R$ 1,23 trilhão e R$ 1,3 trilhão. Mesmo com o aumento, o Tesouro comemorou a redução da parcela com vencimento nos próximos 12 meses. Essa parcela caiu para 29,8% em novembro, o menor porcentual desde abril de 2001. Esse é um dos principais indicadores de sustentabilidade da dívida observado pelas agências internacionais de classificação de risco. Quanto menor o porcentual, melhor a avaliação. É a primeira vez que esse indicador cai abaixo de 30% desde o período em que o Tesouro começou a avançar na substituição de papéis atrelados à taxa Selic por papéis prefixados, considerados de menor risco para administração da dívida. Entre os anos de 2001 e 2002, a parcela a vencer em 12 meses estava abaixo de 30%, mas o motivo da redução foi a maior oferta de papéis atrelados à Selic (LFT), com prazos mais longos. Agora, a queda é importante porque se deveu ao alongamento dos prazos dos papéis prefixados e atrelados a índices de preços. Esses dois títulos representam juntos 62% do total da dívida em novembro. Mas o Tesouro desacelerou as emissões de títulos prefixados.Em novembro, representavam 36,11% do total da dívida, mesmo nível alcançado em dezembro de 2006, e abaixo do intervalo do PAF que estabelece um limite entre 37% e 43%. O coordenador-adjunto de operações da dívida pública do Tesouro Nacional, Fernando Garrido, prevê que a dívida federal interna deverá terminar o ano com resgate líquido de títulos. Até novembro, os resgates superavam em R$ 2,5 bilhões as emissões. Para Garrido, esse volume representa um cenário de estabilidade das emissões, com rolagem de quase 100% dos vencimentos.O Tesouro considera que esse valor não deve representar redução do chamado colchão de liquidez, que são os recursos usados para rolar os vencimentos de títulos nos próximos quatro a cinco meses. A dívida total, interna e externa, até novembro, apresenta o resgate líquido de R$ 28,7 bilhões. Garrido garantiu que a estratégia de administração da dívida pública não muda com a extinção da CPMF. Segundo ele, importante foi o anúncio feito pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, de que a meta do superávit primário do setor público para 2008 será mantida.

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