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Dívida interna cai R$ 27,78 bi com ajuda da crise

Cancelamento de um leilão de venda de títulos do governo fez o valor total cair para R$ 1,17 trilhão

Adriana Fernandes e Fabio Graner, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2023 | 00h00

A dívida interna em títulos do governo federal caiu R$ 27,78 bilhões em julho, atingindo R$ 1,17 trilhão. Foi a primeira queda desde janeiro deste ano. Ironicamente, um dos motivos para o recuo foi o início da crise nos mercados financeiros mundiais, no mês passado, que obrigou o Tesouro Nacional a cancelar um leilão de venda de títulos no mês passado. A suspensão levou o Tesouro a fazer um resgate de papéis maior do que o previsto inicialmente. Com o cancelamento, o Tesouro resgatou os papéis que venceram no período, sem fazer novas emissões para refinanciar a dívida. Com isso, o total da dívida diminuiu.Em julho, os resgates líquidos (descontadas as emissões) da dívida somaram R$ 39,4 bilhões. O estoque da dívida só não caiu nesse montante por causa do impacto negativo de R$ 11,63 bilhões da incorporação do valor dos juros ao principal.Desde o início do ano, a dívida vinha aumentando porque o Tesouro estava fazendo emissões em volumes maiores do que os resgates, o que garantiu o aumento do "colchão" de recursos para o governo enfrentar momentos de maior volatilidade, como os das últimas semanas. É graças ao dinheiro desse colchão que o Tesouro pôde cancelar os leilões de venda de títulos nos dias turbulentos. Até agora, o Tesouro já cancelou um leilão em julho e outro em agosto, na semana passada.METASApesar do cancelamento dos leilões, o coordenador de Operações da Dívida Pública do Tesouro, Guilherme Pedras, avaliou ontem que as turbulências não afetaram a gestão da dívida e as metas previstas no Plano Anual de Financiamento da Dívida serão atingidas. Segundo Pedras, o resgate líquido em julho já estava programado, porque no mês há um volume concentrado de R$ 58,77 bilhões em vencimentos de títulos prefixados (com taxa definida na hora do leilão). Enquanto o Tesouro vendeu R$ 29,16 bilhões de novos papéis, os vencimentos totais no mês foram de R$ 68,58 bilhões. Os vencimentos elevados de títulos prefixados, sem a correspondente emissão, fizeram com que a parcela da dívida atrelada esse tipo de papel caísse de 38,71%, em junho, para 36,32% do total, em julho. Por outro lado, a dívida indexada à taxa básica de juros (Selic) subiu de 34,06% para 35,35%, por causa da emissão de R$ 1,6 bilhão desses papéis e também por causa do efeito estatístico provocado pela queda da parcela dos títulos prefixados. Já a participação de títulos remunerados por índices de preços aumentou no período de 23,88% para 24,01%.

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