Dívida interna em títulos tem leve queda em junho

No primeiro semestre, contudo, a dívida sofreu um aumento de R$ 118 bilhões 

Adriana Fernandes e Fábio Graner, da Agência Estado,

22 de julho de 2010 | 14h47

A Dívida Pública Mobiliária Federal Interna (DPMFi) teve uma pequena redução de 0,20% de maio para junho, passando de R$ 1,519 trilhão para R$ 1,516 trilhão. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira, 22, pelo Tesouro Nacional.

Esta queda de R$ 3 bilhões no mês se deve ao resgate líquido de R$ 16,91 bilhões em títulos feito pelo Tesouro ao longo do mês. O resgate líquido ocorre quando o Tesouro vende (emite) menos papéis do que o volume de títulos que estão vencendo. O resgate do Tesouro compensou em parte o impacto dos juros de R$ 13,85 bilhões no estoque da dívida, ocorrido no mês.

Segundo o coordenador de operações da Dívida Pública do Tesouro Nacional, José Franco de Morais, a participação de estrangeiros na DPMFi atingiu em junho a marca recorde de 9,35%. Em maio, essa participação estava em 8,95%. Em valor nominal, a fatia dos estrangeiros em junho somou R$ 139 bilhões. Segundo Franco, o aumento da participação dos estrangeiros reflete a estabilidade e os fundamentos econômicos do País, o que, especialmente em um ambiente de instabilidade internacional, atrai os investidores externos.

Primeiro semestre

Influenciada pelo empréstimo de R$ 80 bilhões ao Banco nacional de Desenvolvimento (BNDES), a DPMFi sofreu, contudo, um aumento de R$ 118 bilhões no primeiro semestre deste ano. Os dados mostram que a dívida interna saltou de R$ 1,398 trilhão, no final de dezembro de 2009, para R$ 1,516 trilhão, em junho.

O custo médio da Dívida Pública Mobiliária Federal interna (DPMFi) em 12 meses ficou em 10,90% ao ano em junho, de acordo com dados do Tesouro Nacional. Nos 12 meses encerrados em maio, o custo médio da dívida interna foi de 10,94% anuais. Em dezembro de 2009, essa taxa ficou em 10,69%.

Dívida externa

A Dívida Pública Federal Externa, por sua vez, teve aumento no mês de 1,11% em relação a maio, encerrando o primeiro semestre em R$ 95,90 bilhões. A Dívida Pública Federal total, que soma a dívida interna e externa fechou o primeiro semestre em R$ 1,612 trilhão, um aumento de R$ 115 bilhões no primeiro semestre do ano.

Dívida de curto prazo

A parcela de títulos da Dívida Pública Mobiliária Federal Interna, com vencimento em até 12 meses, caiu de 28,35% em maio, para 26,69% em junho. Esse indicador é importante, porque mostra que quanto menor o porcentual de dívida de curto prazo, menor o risco de financiamento do endividamento público.

Do total de títulos a vencer em até 12 meses (R$ 404,73 bilhões), 51,67% (R$ 209,13 bilhões) são títulos prefixados, seguidos por títulos indexados a índices de preços, que correspondem a 24,90% do total da dívida.

A parcela da Dívida Pública Federal (DPF), que inclui a externa e a interna, com vencimento em até 12 meses, também caiu de 27,43% em maio para 25,86% em junho. O porcentual está dentro da meta definida para esse indicador, no Plano Anual de Financiamento deste ano (PAF). O PAF tem uma meta mínima de 24% e máxima de 28% do porcentual da DPF com vencimento em 12 meses. O PAF não tem meta para Dívida Pública Mobiliária Federal Interna.

O prazo médio da DPMFi em junho aumentou de 3,36 anos para 3,40 anos e o prazo médio da DPF subiu de 3,51 anos para 3,55 anos. Quanto maior o prazo médio da dívida, melhor o perfil do endividamento público.

 

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