bolsa

E-Investidor: Itaúsa, Petrobras e Via Varejo são as ações queridinhas do brasileiro

Dívida interna não é explosiva, garante o governo

O secretário do Tesouro Nacional, Eduardo Guardia, considera "descabidas" as avaliações feitas hoje no mercado financeio de que a dívida interna do governo está caminhando para uma trajetória explosiva. Em entrevista à Agência Estado, o secretário sustentou que o endividamento público é administrável e que não há risco de perda de controle da dívida durante o período de transição para o próximo governo."Não há nenhuma necessidade de fazer uma reestruturação. O governo tem capacidade de honrar e pagar a sua dívida", disse o secretário, rebatendo previsões feitas por diversos analistas, entre eles o economista Morris Goldstein.Especialista em mercado de capitais, Goldstein, que trabalhou por 24 anos no FMI, afirmou que as chances de o Brasil ser obrigado a reestruturar a dívida em 2003 são de 70%, não importando quem seja o presidente eleito.Segundo Guardia, o que determina a capacidade de pagamento da dívida interna são os superávits primários do governo, que continuam sendo mantidos. "Nesse ponto nada mudou", ressaltou o secretário, que acredita que após esse período de nervosismo do mercado financeiro, os fundamentos da economia vão prevalecer.Guardia enfatizou que o governo está "atento e atuante" e tem utilizado os instrumentos existentes para administrar a dívida. "Não houve nenhuma alteração com relação aos fundamentos da economia, é preciso prestar mais atenção a isso", disse ele, num recado aos investidores. Troca de títulosPara o secretário do Tesouro Nacional, o Banco Central está tendo uma ação "eficiente" nas operações de troca de títulos públicos. Segundo Guardia, o papel fundamental do governo neste momento é o de ter tranqüilidade para utilizar diversos instrumentos para proporcionar a redução do grau de nervosismo que tomou conta dos mercados nas últimas semanas."O importante é que estamos reagindo e o Banco Central está com uma ação eficiente", afirmou. Guardia acredita que o encurtamento da dívida interna, com as operações de troca de títulos longos por papéis mais curtos, é uma maneira de assegurar a rolagem dos papéis.O secretário chamou atenção para o fato de que as trocas de papéis longos por curtos estão sendo feitas no que Guardia identifica como "margem" da dívida. "Fizemos até agora trocas no montante de cerca de R$ 23 bilhões para um dívida que soma R$ 633,29 bilhões. Isto é um movimento na margem", disse.Guardia ressaltou também que o processo de alongamento do prazo da dívida interna, feito pelo Tesouro nos últimos anos, está permitindo que o governo atenda agora a demanda do mercado por papéis mais curtos, sem que isso acarrete maiores problemas para o financiamento da dívida que vencerá no primeiro trimestre de 2003.Ele observou que o Tesouro já havia se programado para possíveis turbulências no período eleitoral, reduzindo o volume de vencimentos dos meses próximos às eleições e do primeiro trimestre de 2003. "O Tesouro entrou neste período numa situação de maior conforto e estamos usando esse espaço que foi criado para atender a demanda por encurtamento", afirmou. Guardia disse também que a atuação do Tesouro Nacional continuará sendo pautada pelos movimentos do mercado financeiro. "Para a gestão da dívida, as alternativas já estão colocadas e vamos continuar olhando a demanda", afirmou."Na oferta de títulos, vamos continuar olhando a demanda e fazendo as colocações que mais se adequem ao momento." Haverá, segundo ele, um aumento da participação dos títulos prefixados, já que o Tesouro, nos leilões semanais, tem ofertado cada vez menos LFTs, títulos com rentabilidade pós-fixada."Colchão de liquidez"Guardia chamou atenção para o fato de que o governo tem um "colchão de liquidez", que permite, caso seja necessário, não fazer a rolagem integral dos vencimentos mensais. O secretário apontou ainda três pontos que, na sua avaliação, fortalecem a percepção de que o governo tem capacidade de administrar a dívida.Em primeiro lugar, a manutenção do compromisso de atingir as metas fiscais. Em segundo, a discussão no Congresso da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2003, que assegura uma meta de superávit primário no próximo ano de 3,5% do PIB. Por último, Guardia destaca a discussão sobre a fixação do limite de endividamento da União, que está sendo feita na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado e deverá ser aprovada ainda este ano. Os limites de endividamento para Estados e municípios já foram aprovados pelo Congresso.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.