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Dívida interna supera R$ 1,57 trilhão em novembro

Endividamento acumulado no último ano do governo Lula cresce R$ 176 bilhões até novembro; no mês passado, maior impacto foi provocado pelos juros

Fabio Graner e Adriana Fernandes / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

21 de dezembro de 2010 | 00h00

No último ano do governo Lula, a dívida interna do governo federal em títulos aumentou R$ 176 bilhões até novembro e bateu a marca de R$ 1,57 trilhão. No mês passado, a dívida aumentou R$ 22,2 bilhões, segundo dados divulgados ontem pelo Tesouro Nacional.

A maior parte desse aumento é decorrente do impacto da correção dos juros no estoque da dívida. No mês de novembro, essa conta foi de R$ 16 bilhões. O restante do crescimento da dívida refletiu uma venda maior de títulos no valor de R$ 6,26 bilhões em relação aos vencimentos dos papéis ao longo do mês que foram resgatados pelo Tesouro.

Além de crescer em volume, a dívida interna em novembro teve um aumento na participação dos papéis prefixados (aqueles com a taxa de juros fixa definida na hora da venda do título). Esse tipo de papel é considerado melhor para a administração da dívida, porque o governo sabe exatamente quanto vai pagar no vencimento do papel. A parcela desses títulos subiu de 36,73% para 37,36% do total da dívida. Já a fatia da dívida corrigida pela taxa Selic caiu de 33,32% para 33,08%.

Por outro lado, os papéis atrelados a índices de preços fecharam o mês de novembro correspondendo a 28,08% do total da dívida. Em outubro, a participação desses papéis era ligeiramente maior: 28,37%.

Estratégia. O coordenador-geral de Operações da Dívida Pública do Tesouro Nacional, Fernando Garrido, afirmou que a maior emissão de títulos prefixados, mesmo com a alta das taxas de juros de mercado, decorreu da manutenção da estratégia de ampliação da presença desses títulos no estoque da dívida.

Segundo ele, uma estratégia mais volátil, que levasse a uma ausência ou baixa emissão de prefixados no momento de alta dos juros, geraria custo maior ao Tesouro no longo prazo. A tese parte do pressuposto controverso de que não se deveria ter nenhuma dose de imprevisibilidade na gestão da dívida pública para não minar a confiança dos compradores de títulos.

Garrido ressaltou que, a médio e longo prazos, os custos de emissão de prefixados tendem a ser iguais aos de papéis vinculados à Selic ou índices de preços. Mas, no curto prazo, especialmente em momentos de maior incerteza no mercado, os prefixados são mais caros. "A emissão de prefixados é mais cara porque é um seguro para evitar decepção no futuro", disse o coordenador-geral de Controle da Dívida, Antônio de Pádua.

Pé no freio. Apesar de emitir mais prefixados em relação a outros papéis, o Tesouro em novembro tirou o pé do acelerador na venda de títulos. Segundo Garrido, a emissão no mês passado foi a menor desde maio deste ano. Em novembro, o Tesouro emitiu R$ 19,5 bilhões nos leilões tradicionais, enquanto em maio foram R$ 13,4 bilhões.

Garrido elencou alguns motivos para o pé no freio, entre eles a elevação das taxas pedidas pelo mercado, o baixo volume de vencimentos de papéis e a situação confortável de caixa no Tesouro.

Segundo ele, as taxas pedidas pelo mercado subiram por causa da expectativa de que o Banco Central vai em breve fazer um movimento de alta da Selic.

Ao contrário da dívida interna, a dívida pública externa caiu R$ 7,54 bilhões no ano e fechou novembro em R$ 91,43 bilhões.

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