Louisa Gouliamaki/AFP
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Dívida leva Grécia a privatizações de € 50 bilhões

Governo quer obter o valor até 2015, para evitar a reestruturação das dívidas e honrar € 25 bilhões em títulos que vencem em 2012

Andrei Netto, O Estado de S.Paulo

19 de abril de 2011 | 00h00

CORRESPONDENTE / PARIS

O governo da Grécia anunciou ontem a adoção de um plano de privatizações de € 50 bilhões até 2015, com o objetivo de evitar a reestruturação das dívidas do país. Entre as áreas envolvidas, estão o setor energético, as telecomunicações e os transportes, em um esforço para honrar € 25 bilhões em títulos de dívida soberana que vencerão em 2012.

 

Na União Europeia, a hipótese de renegociação já circula entre líderes políticos e investidores e estaria entre os planos do governo do primeiro-ministro Georges Papandreou.

 

Entre as medidas do novo plano de rigor, estão a redução de 51% a 34% do capital do Estado na companhia nacional de eletricidade, a DEI, assim como a venda de parte dos 20% de ações do governo na operadora de telefonia OTE. A empresa pública de transportes férreos TrainOSE também será parcialmente vendida, assim como a companhia de gás Depa, na qual será preservada uma participação de 34% das ações, com direito a veto. O capital do Estado também será reduzido no Banco Postal, em cassinos, loterias, uma fábrica de armas e em portos. A concessão do Aeroporto de Atenas também será ampliada.

 

O objetivo do plano de emergência é obter € 15 bilhões até 2013 e € 50 bilhões até 2015, de forma a aumentar o caixa público e reduzir as dúvidas que pesam sobre a capacidade de Atenas de honrar os títulos da dívida soberana do país.

 

De acordo com Georges Papandreou, o plano é uma das medidas que o governo está tomando para evitar a renegociação das dívidas. "A Grécia resolverá seus problemas agindo profundamente, não reestruturando a dívida, mas reestruturando o país", voltou a repetir o premier.

 

Ágio

 

Em visita a Washington, o ministro das Finanças da Grécia, Georges Papaconstantinou, também negou que o alongamento do prazo de pagamento dos títulos esteja na ordem do dia.

 

Apesar das negativas de Atenas, a hipótese de renegociação das dívidas é cada vez mais evocada na Europa. No final de semana, o ministro de Finanças da Alemanha, Wolfgang Schäuble, afirmou que a Grécia dispõe de "outras medidas", além das que o país está adotando, para recuperar sua economia.

Já o Ministério das Relações Exteriores da Alemanha reiterou que a eventual renegociação "não seria necessariamente um desastre".

 

Nos mercados financeiros do bloco, alguns operadores já trabalham com estimativas de perdas de 30% do valor dos títulos de dívidas soberanas da Grécia. O ágio cobrado por obrigações de países periféricos - como Grécia, Irlanda e Portugal - não para de subir, um sinal de que o mercado já se prepara para a eventual renegociação.

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