Dívida maior de estatais foi pontual, explica BC

O déficit primário de R$ 3,724 bilhões registrado pelas empresas estatais federais em fevereiro foi resultado do pagamento de dividendos feito por essas companhias. A explicação foi dada hoje pelo chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes. "Houve uma antecipação do pagamento de dividendos dessas empresas, o que fez com que o resultado primário fosse ruim", disse Lopes. As estatais pagaram em fevereiro R$ 3,3 bilhões em dividendos, sendo que R$ 1,1 bilhão foram pagos ao próprio governo, influenciando assim positivamente o caixa do Tesouro Nacional, no mês passado. Segundo Lopes, o déficit em fevereiro das estatais é "absolutamente pontual" e a expectativa é de que em março o resultado primário dessas empresas volte a ser positivo. Na avaliação geral, Lopes considerou o superávit obtido pelo setor público consolidado, em fevereiro, como bom. "Acumulamos no primeiro bimestre um superávit de R$ 10,246 bilhões, o que praticamente assegura o cumprimento da meta trimestral firmada com o Fundo Monetário Internacional de R$ 14,5 bilhões". O chefe do Depec informou ainda que mantida a cotação do dólar atual, na casa dos R$ 2,94 por dólar, a dívida líquida do setor público, em relação ao PIB, deverá subir em março de 57,6% para 57,8%. "Esse é um movimento pontual, que não inviabiliza a trajetória de queda da relação dívida-PIB", disse. Impacto da redução de juros Os cortes na meta da taxa Selic, a taxa básica de juros da economia, promovidos pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central ao longo do segundo semestre de 2003 continuam gerando efeitos sobre o volume de dinheiro apropriado pelo setor público para o pagamento de juros. Segundo o chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes, desde dezembro do ano passado, o fluxo em 12 meses de apropriação de recursos para o pagamento de juros vem caindo, por força das reduções da taxa básica de juros da economia brasileira. De novembro para dezembro de 2003, esse volume de dinheiro destinado para pagamento de juros, acumulado em 12 meses, caiu de R$ 153,6 bilhões para R$ 145,2 bilhões. Em fevereiro, esse fluxo acumulado estava em R$ 134,185 bilhões. Como proporção do PIB, a queda de novembro a fevereiro foi de 1,5 ponto porcentual. Ou seja, as apropriações acumuladas em novembro de 2003 correspondiam a 10,14% do PIB, passando para 8,64% agora em fevereiro.

Agencia Estado,

26 Março 2004 | 14h11

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