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Dívida pública ainda não refletiu a crise

Pelo Relatório Mensal da Dívida Pública Federal, relativo ao mês de julho, um leitor apressado poderia concluir que a perturbação financeira internacional foi favorável ao Brasil, pois houve uma redução de 2,3% da dívida pública federal interna (DPMFi) e de 6,4% da externa, enquanto o prazo médio da dívida passou de 37,9 meses, em junho, para 38,88 meses no mês seguinte.Mas é que a perturbação internacional teve inicio em 27 de julho e seu efeito sobre a dívida brasileira ainda não apareceu. Quanto à queda da DPMFi, deveu-se à suspensão de um leilão, em conseqüência da crise. O impacto dessa perturbação só poderá ser avaliado nos dados relativos a agosto.As emissões da DPMFi foram de R$ 61,1 bilhões em junho e caíram para R$ 29,1 bilhões em julho, enquanto os resgates passaram de R$ 47,3 bilhões para R$ 68,5 bilhões. No caso da dívida externa, as emissões passaram de R$ 1 bilhão em junho para R$ 59,5 milhões no mês seguinte, enquanto os resgates aumentavam de R$ 513 milhões para R$ 7,367 bilhões.A redução da dívida não foi fruto de queda nas necessidades de financiamento do governo, mas das dificuldades que o Tesouro encontrou para colocar seus papéis. Certamente as autoridades fazendárias acharam, com razão, que o momento não era oportuno para realizar emissões. O problema é saber se agora a situação vai mudar.Convém fixar a diferença entre as necessidades de financiamento relativas às dívidas interna e externa. A segunda não se destina a resolver problemas urgentes, embora sua redução obrigue o governo a rever alguns dos investimentos programados que seriam financiados com recursos externos. A dívida interna resulta das necessidades de financiamento do setor público, que pode renunciar a um determinado leilão de colocação de papéis, mas, a menos que reduza drasticamente alguns dos seus gastos, corre o risco de paralisação das atividades de governo.É verdade que com o aumento de arrecadação que vem ocorrendo deveria ser possível ao governo reduzir suas necessidades de financiamento, mas só se reduzisse concomitantemente seus gastos.Ninguém se iluda com o aumento do prazo da dívida, nem com a relativa queda do seu custo, pois isso resultou da suspensão de algumas operações e do resgate das de mais curto prazo. A perspectiva é de encurtamento dos prazos e de aumento dos custos dos empréstimos.

O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2024 | 00h00

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