Pablo Valadares/AE–20/12/2010
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Dívida pública cresce em abril e vai a R$1,7 trilhão

Aumento foi de R$ 39,63 bilhões no mês e boa parte desse valor, R$ 14,31 bilhões, refletiu a correção dos juros no estoque da dívida

Adriana Fernandes e Renata Veríssimo / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

24 de maio de 2011 | 00h00

A dívida pública federal, que inclui o endividamento do governo federal em títulos no mercado interno e externo, bateu em abril a marca de R$ 1,7 trilhão, com um aumento de R$ 39,63 bilhões num único mês. De março para abril, a dívida saltou de R$ 1,69 trilhão para R$ 1,73 bilhão. Boa parte desse crescimento - R$ 14,31 bilhões - refletiu a correção dos juros no estoque da dívida.

Com as melhores condições do mercado doméstico, o Tesouro Nacional também aproveitou a demanda maior dos investidores para vender mais títulos prefixados, papéis com taxa definida na hora do leilão e considerados melhores para a administração da dívida. Foram vendidos R$ 25,32 bilhões de títulos a mais do que os regastes dos papéis que venceram ao longo do mês. Em abril, o Tesouro fez a maior emissão de títulos nos seus leilões semanais desde 2006: R$ 47,84 bilhões.

Segundo o coordenador-geral de Operações da Dívida Pública do Tesouro, Fernando Garrido, essa maior venda de títulos foi favorecida pela redução da volatilidade do mercado e queda das taxas de juros pedidos pelos investidores para comprar os títulos prefixados do governo. Na sua avaliação, o mercado financeiro está mais confortável com o retorno da inflação às taxas esperadas. Para ele, essa é a razão pela qual as taxas de juros dos papéis prefixados terem recuado desde abril, tendência que permanece em maio.

Apesar da queda dos juros dos papéis prefixados, o custo da dívida tem sido pressionado pelo aumento da Taxa Selic e dos índices de inflação, que corrigem os títulos públicos. Em abril, o custo médio da dívida interna em títulos, chamada de DPMFi, acumulado em 12 meses subiu de 12,15% para 12,24% ao ano, valor acima do atual patamar da taxa Selic, de 12%.

Fora da meta. Os dados do Tesouro divulgados ontem também mostraram que o governo terá trabalho pela frente para colocar os indicadores da dívida dentro das metas definidas no Plano Anual de Financiamento (PAF), documento feito anualmente que define a estratégia de administração da Dívida Pública Federal. A parcela de prefixados no total da divida fechou abril em 34,81%, patamar abaixo da banda mínima da meta definida para esse indicador, fixada entre 36% e 40%.

A parcela corrigida pela Selic também está fora da meta, estabelecida entre 28% e 32%, e atingiu em abril 32,13%. Esses dois indicadores são centrais para gestão da dívida. O Tesouro quer justamente diminuir a parcela da dívida corrigida pela Selic - que traz riscos no caso de aumentos bruscos dos juros básicos pelo BC - e expandir a participação de títulos prefixados, mais previsíveis para a gestão.

Em abril, a parcela de títulos em mãos dos estrangeiros no total da dívida voltou cair, passando de 11,38% para 11,29%, como reflexo do aumento da alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para aplicações em renda fixa.

Segundo Garrido, "a tendência é que haja uma elevação gradual do volume" de títulos públicos nas mãos de estrangeiros, mas isso não deve se refletir na elevação da participação dos investidores estrangeiros no total do estoque.

Tesouro direto

O programa Tesouro Direto teve em abril a maior captação mensal desde o início do programa em 2002. As emissões somaram R$ 274,22 milhões, e os resgates totalizaram R$ 54,18 milhões.

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