André Dusek/Estadão - 9/1/2018
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Dívida pública desacelera para 82,7% do PIB em agosto, mostra BC

Valor chegou a R$ 6,849 trilhões no mês; no melhor momento da série, em dezembro de 2013, a dívida bruta estava em 51,5% do PIB

Eduardo Rodrigues e Thaís Barcellos, O Estado de S.Paulo

29 de setembro de 2021 | 11h53

BRASÍLIA - A dívida pública brasileira voltou a desacelerar no mês passado. Dados divulgados nesta quarta-feira, 29, pelo Banco Central mostram que a Dívida Bruta do Governo Geral fechou agosto em R$ 6,849 trilhões, o que representa 82,7% do Produto Interno Bruto (PIB), depois de atingir 83,1% do PIB em julho (dado revisado). No melhor momento da série, em dezembro de 2013, a dívida bruta estava em 51,5% do PIB.

A Dívida Bruta do Governo Geral - que abrange o governo federal, os governos estaduais e municipais, excluindo o Banco Central e as empresas estatais - é uma das referências para avaliação, por parte das agências globais de classificação de risco, da capacidade de solvência do País. Quanto maior a dívida, maior o risco de calote por parte do Brasil

O BC informou ainda que a Dívida Líquida do Setor Público (DLSP) passou de 59,8% (dado revisado) para 59,3% do PIB em agosto, atingindo R$ 4,918 trilhões. A dívida líquida apresenta valores menores que os da dívida bruta porque leva em consideração as reservas internacionais do Brasil.

Contas no azul

O setor público consolidado (Governo Central, Estados, municípios e estatais, com exceção de Petrobras e Eletrobras) apresentou superávit primário de R$ 16,729 bilhões em agosto, informou o Banco Central nesta quarta-feira, 29. O resulta positivo vem na sequência do déficit de R$ 10,283 bilhões em julho. E agosto de 2020 foi registrado rombo de R$ 13,448 bilhões.

O resultado primário reflete a diferença entre receitas e despesas do setor público, antes do pagamento dos juros da dívida pública.

O superávit primário consolidado do mês passado surpreendeu e ficou fora do intervalo das estimativas de analistas do mercado financeiro ouvidos pelo Projeções Broadcast, que iam de déficit de R$ 36,528 bilhões a resultado zero.

O resultado fiscal de agosto foi composto por um déficit de R$ 11,092 bilhões do Governo Central (Tesouro Nacional, Banco Central e INSS). Por outro lado, os governos regionais (Estados e municípios) influenciaram o resultado positivamente com R$ 27,337 bilhões no mês. Enquanto os Estados registraram um superávit de R$ 23,479 bilhões, os municípios tiveram resultado positivo de R$ 3,859 bilhões. As empresas estatais registraram superávit primário de R$ 484 milhões.

No ano até agosto, as contas do setor público acumularam superávit primário de R$ 1,237 bilhão, o equivalente a 0,02% do Produto Interno Bruto (PIB).  

Gastos com juros

O setor público consolidado teve resultado negativo de R$ 46,467 bilhões com juros em agosto, após registrar gasto de R$ 45,119 bilhões em julho, segundo o Banco Central.

Conforme o BC, o governo central (Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central) teve no mês despesas na conta de juros de R$ 42,647 bilhões. Os governos regionais registraram gastos de R$ 3,403 bilhões e as empresas estatais, despesas de R$ 417 milhões.

No ano até agosto, o gasto com juros somou R$ 237,012  bilhões, o que representa 4,20% do PIB.  Em 12 meses até agosto, as despesas com juros atingiram R$ 335,703 bilhões (4,05% do PIB). 

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