Dívida pública e crédito já acusam alta dos preços

A escalada da inflação, que forçou oBanco Central a apertar a política monetária, já elevou osgastos do governo com o pagamento de juros e tende a reduzir aoferta de crédito para pessoas físicas e empresas. A inflação afeta diretamente a dívida interna do governofederal atrelada à Selic e também os títulos públicoscorrigidos por índices de preços, que somam 27 por cento dadívida mobiliária total. As duas elevações da Selic terão impacto de cerca de 4,6bilhões de reais sobre os gastos com juros em 12 meses. Adívida mobiliária total soma 1,2 trilhão de reais. Diante do novo quadro, o Banco Central elevou sua projeçãopara os gastos do setor público como um todo com juros este anopara 5,8 por cento do PIB, ante estimativa anterior de 5,4 porcento do PIB. O impacto sobre a relação dívida/Produto Interno Bruto émenos direto porque a inflação também infla o dado deflacionadodo PIB usado pelo BC para o cálculo. Alimentada pelo aumento das commodities no mercadointernacional e pela demanda interna aquecida, a inflação jáameaça superar o teto da meta neste ano. Daí o aperto monetárioiniciado em abril e que já elevou a Selic em 1,0 pontopercentual, para 12,25 por cento ao ano. O BC detectou uma desaceleração no crédito às pessoasfísicas em maio, que atribuiu em parte ao aumento do juro. Osdados também revelaram um pequeno aumento da inadimplência. "Você tem uma clara acomodação no crédito à pessoa física,principalmente no crédito pessoal", afirmou o chefe doDepartamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes, ementrevista recente. O estoque de crédito às pessoas físicas cresceu 1,4 porcento em maio sobre abril, ante alta de 2,0 por cento noperíodo anterior. No ano, o crescimento é de 9,0 por cento. Para o estrategista-chefe Alexandre Lintz, do BNP Paribas,essa acomodação reflete postura mais cautelosa por parte dosbancos diante da tendência de os consumidores terem maisdificuldades para honrar os financiamentos. "Deve haver maisrestrição de oferta de crédito, que crescerá a taxas um poucomais moderadas", estimou. ALERTA SOBRE INADIMPLÊNCIA A Acrefi, entidade que representa instituições de crédito,reduziu sua projeção de crescimento do crédito em 2008 para 25por cento, ante estimativa feita no final do ano passado dealta de 40 por cento. José Arthur Assunção, vice-presidente da associação, afirmaque, diante do aumento dos preços, as instituições financeiraspassaram a exigir que os tomadores comprometam uma parcelamenor de sua renda no pagamento do crédito. A média caiu paraalgo entre 20 a 23 por cento, de um patamar anterior de 25 a 30por cento no início do ano. "As financeiras estão olhando com mais cuidado o tomador decrédito. A idéia é garantir que o crédito seja uma solução, enão um problema", afirmou Assunção. A parcela de tomadores de empréstimos com atrasossuperiores a 90 dias subiu para 7,3 por cento em maio, patamarobservado pela última vez em fevereiro de 2007, segundo dadosdo Banco Central. Em abril, a inadimplência média estava em 7,1 por cento. (Edição de Daniela Machado)

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