Dívida pública é "problema fundamental do País", diz Raul Velloso

O economista Raul Velloso, especializado em contas públicas, traçou um quadro pouco otimista para a economia brasileira para os próximos anos, em palestra na Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ). Na avaliação de Velloso, sem choques externos, o País até consegue crescer a taxas mais elevadas, como ocorrerá este ano. "Qualquer crise internacional, porém, gera conseqüências muito negativas no País", disse Velloso.Isso porque, segundo ele, "o problema fundamental do País" é a grande e cara dívida pública, a qual ainda não foi equacionada e deixa o País vulnerável às crises externas.Segundo ele, nos últimos oito anos, os gastos correntes do governo federal registraram aumento de seis pontos porcentuais, pulando da faixa de 14,7% do Produto Interno Bruto (PIB) para o patamar de 20,3% estimados para este ano. "Isso indica um aumento em torno de R$ 100 bilhões por ano nas despesas correntes", enfatizou."O pior é que esses gastos continuam crescendo, inclusive este ano", observou o economista. Segundo ele, em fevereiro o governo divulgou estimativas de que esses gastos atingiriam 18,3% do PIB, mas na revisão do orçamento realizada em agosto, houve aumento de mais dois pontos percentuais. SoluçõesSem reduzir os gastos correntes não há como alcançar o equilíbrio das contas públicas, na sua avaliação. A outra opção do governo seria cortar os investimentos, mas esses gastos já estariam no limite mínimo, na faixa de 0,6% do PIB. "E já estamos no limiar de um apagão logístico, por falta de investimentos em infra-estrutura", acrescentou.Velloso elogiou a atuação do Ministro da Fazenda, Antônio Palocci, que conseguiu reduzir a relação dívida pública com o Produto Interno Bruto (PIB) do pico de 62,5%, atingido em outubro de 2002, para o nível de 54,1% em agosto.

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