Marcos Santos/ USP
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Dívida pública federal tem alta de 1,5% em agosto e chega a R$ 5,48 trilhões

Houve uma emissão líquida de R$ 45,525 bilhões, o que significa que o Tesouro vendeu mais títulos para se financiar no mercado do que resgatou papéis já emitidos

Idiana Tomazelli, O Estado de S.Paulo

27 de setembro de 2021 | 15h43

BRASÍLIA - O estoque da Dívida Pública Federal (DPF) subiu 1,57% em agosto e fechou em R$ 5,480 trilhões, segundo dados divulgados pelo Tesouro Nacional nesta segunda-feira, 27. Em julho, o estoque estava em R$ 5,395 trilhões.

Houve uma emissão líquida de R$ 45,525 bilhões, o que significa que o Tesouro vendeu mais títulos para se financiar no mercado do que resgatou papéis já emitidos. Ao todo, foram R$ 72,031 bilhões emitidos e R$ 26,505 bilhões resgatados.

O volume total das captações ficou abaixo da média dos últimos meses. "Diante da volatilidade observada no mês de agosto, o Tesouro Nacional atuou com cautela, respeitando as condições de mercado, mantendo o caixa da dívida em posição confortável", informou o órgão.

A correção de juros no estoque da dívida pública por sua vez, foi de R$ 37,37 bilhões no mês passado.

A DPF inclui a dívida interna e externa. A Dívida Pública Mobiliária Federal interna (DPMFi) subiu 1,59% em agosto e fechou o mês em R$ 5,237 trilhões. Já a Dívida Pública Federal externa (DPFe) ficou 1,09% maior no mês, somando R$ 243,51 bilhões ao fim do mês passado.

Colchão de liquidez

O Tesouro encerrou o mês de agosto com R$ 1,227 trilhão no “colchão da dívida”, que é a reserva de liquidez feita para honrar compromissos com investidores que compram os títulos brasileiros. O valor observado é 5,80% maior em termos nominais que o R$ 1,160 trilhão que estava na reserva em julho. O montante ainda é 57,80% superior ao observado em agosto de 2020 (R$ 777,73 bilhões).

Segundo o Tesouro, a posição atual do caixa é suficiente para fazer frente a 10,5 meses de vencimentos da dívida. Nos próximos 12 meses, os valores a serem pagos estão estimados em R$ 1,364 trilhão.

A divulgação do valor exato do “colchão da dívida” foi adotada no início deste ano e é uma iniciativa do Tesouro para elevar a transparência sobre esse dado, que serve de termômetro para saber se o País tem recursos para pagar seus investidores ou precisará recorrer rapidamente ao mercado para reforçar o caixa.

No início da pandemia da covid-19, o elevado colchão de liquidez foi essencial para que o Tesouro pudesse se abster de emitir grandes volumes de títulos num momento de forte volatilidade do mercado, o que poderia resultar em custo elevado de financiamento.

No ano passado, o Tesouro encerrou com um colchão da dívida acima do observado em 2019, após aproveitar uma janela favorável para emissões no fim do ano. O objetivo agora é manter, ao longo de 2021, o colchão de liquidez acima de seu nível prudencial.

Títulos públicos 

Uma mudança no perfil das emissões de títulos públicos no mês de agosto levou ao crescimento da fatia dos papéis atrelados à Selic na composição da dívida pública. Já os títulos prefixados ou remunerados pela inflação tiveram queda na participação, segundo dados do Tesouro Nacional.

"Diante da volatilidade observada no mês de agosto, o Tesouro Nacional atuou com cautela, respeitando as condições de mercado, mantendo o caixa da dívida em posição confortável", diz o órgão. Nas emissões, destaque para os títulos indexados à taxa flutuante (67,5% do total), demonstrando uma mudança no perfil das emissões", acrescenta.

A parcela de títulos prefixados na Dívida Pública Federal (DPF) caiu de 32,05% em julho para 31,86% em agosto. No mesmo período, os papéis atrelados à Selic passaram de 35,67% para 36,11%. Os títulos remunerados pela inflação caíram para 27,35% do estoque da DPF em agosto, ante 27,59% em julho. Os papéis cambiais tiveram uma oscilação em sua participação na DPF, de 4,69% para 4,68% na mesma base de comparação.

Após um mês de maior volatilidade e concentração de emissões de títulos remunerados pela Selic em agosto, o Tesouro Nacional informou ter observado um “retorno gradual” na demanda dos investidores por papéis prefixados e indexados à inflação. Segundo o órgão, esse movimento é “consistente com um retorno também gradual das emissões desses papéis”.

Segundo o Tesouro, o cenário externo no mês de setembro foi marcado pela maior aversão ao risco, ainda com preocupações quanto à persistência da variante Delta e quanto à velocidade de recuperação global. “Os mercados passaram por ajustes nos preços, em especial nos EUA, e a crise de crédito envolvendo o grupo Evergrande contribuiu para o pior sentimento no mercado”, diz o órgão.

“No Brasil, a parte curta da curva de juros subiu entre 50 e 70 bps, com os investidores revendo seus cenários para a Selic no final do ciclo de aperto monetário. Os vencimentos longos seguem em alta, cerca de 50 bps, precificando preocupação dos investidores sobre questões fiscais, embora a discussão entre poderes para pagamento dos precatórios dentro do limite do teto de gastos tenha contribuído para retirar pressão dos juros”, acrescenta o Tesouro.

O órgão informou que seguirá monitorando os mercados e reforçou que a atual situação do caixa da dívida, suficiente para 10,5 meses de vencimentos à frente, “dá flexibilidade” para ajustar os volumes ofertados de acordo com as condições de mercado.

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