Dívida pública federal cambial ameaça estourar meta

Valorização do dólar desde o agravamento da crise financeira provoca aumento de R$ 12,2 bi na dívida

Reuters,

22 de dezembro de 2008 | 18h07

A valorização do dólar provocou um aumento de R$ 12,2 bilhões na dívida pública federal brasileira em novembro e ameaça o cumprimento de uma das metas da programação de endividamento do Tesouro Nacional para o ano.   No mês passado, a dívida pública federal - interna e externa - aumentou no total 2,16%, ou R$ 29 bilhões, na comparação com o mês anterior, e totalizou R$ 1,374 trilhão.   Além do efeito do dólar, que impacta principalmente as obrigações externas do País, contribuiu para o aumento da dívida uma emissão líquida de R$ 4,4 bilhões em títulos no mercado doméstico, além da incidência de juros.   A parcela da dívida total atrelada ao câmbio fechou novembro em 9,7% do total, contra 9% em outubro e frente a uma meta de 7% a 9% estabelecida pelo Tesouro para 2008 no final de agosto.   O coordenador-geral da Dívida Pública, Guilherme Pedras, afirmou que ainda não é possível prever em que patamar essa parcela da dívida deverá fechar o ano, pois sua correção dependerá do valor do dólar no final de dezembro.   "O aumento é um efeito da desvalorização do real frente ao dólar e o resultado de dezembro dependerá em grande medida do valor da Ptax (taxa média do dólar)", disse Pedras a jornalistas. Em novembro, o dólar acumulou alta de 7,41% frente ao real.   Dívida interna   Considerando apenas a dívida mobiliária federal interna, o crescimento do endividamento foi de 1,48% em novembro, para R$ 1,244 trilhão. No mês, houve uma emissão líquida de R$ 4,4 bilhões e a apropriação de juros somou R$ 13,7 bilhões.   "Novembro apresentou condições melhores de gestão da dívida do que outubro", disse Pedras. "Mas continua um grau significativo de incerteza no mercado internacional."   A participação da dívida cambial sobre a dívida interna total, incluindo os contratos de swap, aumentou para 3,17%, frente a 1,32% em outubro.   A parcela dos títulos prefixados - considerados melhores para o gerenciamento da dívida - aumentou para 31,61% em novembro ante 31,50% em outubro.   Os papéis atrelados à Selic caíram para 34,55% contra 35,93% em outubro, incluindo os contratos de swap. No mesmo período, a participação dos títulos corrigidos por índices de preços passou de 29,75% para 29,15%.

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