Fabio Motta/Estadão
Fabio Motta/Estadão

Dívida sobe 1,8% e se aproxima do teto previsto pelo Tesouro

Estoque da dívida atingiu R$ 2,73 tri em setembro e ficou mais perto do teto de R$ 2,8 tri estabelecido como referência pelo Tesouro 

Rachel Gamarski e Bernardo Caram, O Estado de S. Paulo

26 de outubro de 2015 | 10h33

Atualizado às 11h

O estoque da Dívida Pública Federal (DPF) subiu 1,80% em setembro e atingiu R$ 2,73 trilhões, se aproximando do teto do intervalo de referência previsto no Plano Anual de Financiamento (PAF). Para este ano, a banda estabelecida é de R$ 2,650 trilhões a R$ 2,800 trilhões. Em agosto, o estoque estava em R$ 2,6 trilhão.

O coordenador-geral de Operações da Dívida Pública do Tesouro Nacional, José Franco, garantiu, no entanto, que o estoque da DPF ficará dentro do intervalo de referência. Ele também afirmou que o Tesouro está limitando a oferta de títulos longos atrelados à inflação. Para o coordenador, as taxas de papéis desse tipo estão "um pouco elevadas". 

Se acordo com Franco, o Tesouro está disposto a ofertar mais títulos com vencimento em 2023, em detrimento dos que vencem em 2035 e 2055. "Ao fazer isso, o Tesouro trava um custo mais elevado, porém até 2023, e não 2035 e 2055. O cronograma está sendo rigorosamente respeitado", disse.

O coordenador afirmou ainda que o Tesouro tomou a decisão estratégica de não pressionar o mercado, o que significa emitir menos títulos prefixados e eventualmente mais papéis de LFT (pós-fixado). "Seguiremos com oferta de LFT, mas com oferta bem menor que setembro. O objetivo é não pressionar a fuga de juros", afirmou.

Juros. A DPF inclui as dívidas interna e externa. A Dívida Pública Mobiliária Federal interna (DPMFi) subiu 1,44% e fechou o mês em R$ 2,6 trilhões. Já a Dívida Pública Federal externa (DPFe) ficou 8,6% maior, somando R$ 145,9 bilhões (US$ 134,32 bilhões no mês passado). Já a correção de juros no estoque da DPF foi de R$ 34,9 bilhões no mês passado.

Franco lembrou a volatilidade ocorrida no mês de setembro e o deslocamento da curva de juros durante o mês. "O Tesouro agiu para diminuir a volatilidade, o objetivo da atuação do Tesouro foi reduzir o risco de mercado", disse Franco. 

O coordenador-geral da dívida ressaltou ainda as operações não programadas realizadas pelo Tesouro no mês passado. Segundo Franco, as operações do Tesouro foram um sucesso. As operações também impactaram positivamente o caixa do Tesouro. 

"Esse tipo de atuação é uma atuação ganha-ganha, é bom para o Tesouro que reduz a volatilidade, reduz as taxas e depois emite a uma taxa menor e também reforça o caixa do Tesouro", afirmou. 

A parcela da DPF a vencer em 12 meses caiu de 25,20% em agosto para 23,35% em setembro, segundo o Tesouro Nacional. O prazo médio da dívida subiu de 4,56 anos em agosto para 4,62 anos em setembro. Já o custo médio acumulado em 12 meses da DPF passou de 15,93% ao ano em agosto para 16,07% a.a. em setembro.

Estrangeiros. A participação dos investidores estrangeiros no estoque da DPMFi caiu de 19,14% em agosto para 18,85% em setembro, somando R$ 487,97 bilhões, segundo o Tesouro Nacional. Em agosto, o estoque nas mãos de estrangeiros estava em R$ 488,51 bilhões.

Já a parcela das instituições financeiras no estoque da DPMFi teve queda de 25,48 % em agosto para 25,36% em setembro. Os fundos de investimentos reduziram a fatia de 20,53% para 20,08%. Já as seguradores tiveram crescimento na participação de 4,07% para 4,38%.

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