Dívida Pública Federal soma R$ 1,922 trilhão em maio

Resultado, que representa um incremento de 2,21% na comparação com abril, foi influenciado pela apropriação de juros no valor de R$ 24,052 bilhões no mês passado

Célia Froufe, da Agência Estado,

25 de junho de 2012 | 14h54

BRASÍLIA - A Dívida Pública Federal (DPF) somou R$ 1,922 trilhão em maio deste ano, segundo dados divulgados pelo Tesouro Nacional, o que representa um incremento de 2,21% na comparação com abril. Este resultado foi influenciado pela apropriação de juros no valor de R$ 24,052 bilhões no mês passado.

Na Dívida Pública Mobiliária Federal interna (DPMFi) também foi visto um incremento de 2,14% do estoque, que passou de R$ 1,794 trilhão em abril para R$ 1,833 trilhão em maio. O montante sofreu impacto dos juros no valor de R$ 18,443 bilhões e da emissão líquida de R$ 19,97 bilhões.

Com relação ao estoque da Dívida Pública Federal externa, foi verificado um aumento de 3,70% em maio, somando R$ 88,906 bilhões no mês passado.

Pré-fixados

A parcela de títulos pré-fixados na composição da Dívida Pública Federal subiu de 37,59% em abril para 38,13% em maio, segundo o Tesouro Nacional. Esse porcentual está dentro dos intervalos estabelecidos pelo Plano Anual de Financiamento de 2012, de 37% a 41%.

No caso dos papéis indexados a preços, houve uma leve redução de 31,99% para 31,62% de abril para maio - dentro do intervalo de 30% a 34% do PAF.

Apesar das trocas de papéis indexados à Selic no FGTS, foi pequena a redução da participação desses títulos no total da dívida em maio, passando de 26,12% para 25,77% (de 22% a 26% do intervalo do PAF).

Em relação ao câmbio, houve um incremento pequeno da participação desses títulos, passando de 4,30% para 4,47% (intervalo de 3% a 5%).

No caso da Dívida Pública Mobiliária Federal interna, houve um incremento na fatia de papéis pré-fixados de 38,55% para 39,24%. Também apresentaram leve alta os títulos indexados em moeda estrangeira, que passou de 0,56% para 0,59% de abril para maio. Já os títulos indexados a índices de preços e à taxa básica de juros (Selic) tiveram menor participação na DPMFi no mês passado. A fatia de papéis atrelados a índices passou de 33,52% para 33,15%, e, no caso da Selic, de 27,37% para 27,02%.

Prazo médio

O prazo médio da Dívida Pública Federal apresentou uma queda, em maio, atingindo 3,81 anos, segundo o  Tesouro Nacional. Em abril, estava em 3,85 anos. Já o custo médio acumulado dos últimos 12 meses da DPF subiu para 12,85 ao ano, em maio, ante 12,59% ao ano em abril. Os vencimentos da DPF para os próximos 12 meses aumentaram de 24,98% em abril, para 27,45% do estoque, em maio.  

O Tesouro Nacional não divulgou, como de praxe, a participação dos estrangeiros na composição da Dívida Pública Mobiliária Federal interna de maio. No material de divulgação do órgão, constam apenas informações nos anexos até o mês de abril, quando a participação estava em 12,3%.

Cenário

Mesmo com o agravamento da crise financeira internacional, a gestão da dívida pública brasileira caminha para um cenário mais positivo do que negativo, na avaliação do coordenador geral de planejamento estratégico da Dívida Pública do Tesouro Nacional, Otavio de Medeiros. "Isso é possível com a redução dos juros", explicou.

Medeiros salientou que o patamar da taxa básica de juros, a Selic, está mais baixo hoje do que o observado há exatamente um ano atrás. Além disso, a inflação também está mais bem comportada agora do que estava em maio de 2011. "Estes dois fatores puxam para baixo o custo da dívida", comemorou. A expectativa do coordenador é de que a redução dos juros continue a influenciar positivamente o custo da dívida, já que se trata de uma média móvel de 12 meses e que, portanto, mês a mês, tende a ter mais influência das taxas mais baixas recentes sobre o cálculo.

Os técnicos do Tesouro explicaram também que o aumento da Dívida Pública Externa, para R$ 88,91 bilhões, se deve ao aumento do dólar na comparação com o real. Eles salientaram que, no mês passado, a valorização da moeda americana foi de 6,90%, contra alta de apenas 0,42% em maio de 2011. "Basicamente é o que explica o aumento da dívida externa."

 

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