Dívida pública indica que a economia pode melhorar

O estoque de dívida pública federal caiu 1,35% entre junho e julho, de R$ 2,20 trilhões para R$ 2,17 trilhões, segundo o Tesouro Nacional. O crescimento foi de apenas 2,37% no primeiro semestre.

O Estado de S.Paulo

29 Agosto 2014 | 02h04

Neste ano eleitoral, em que as contas do governo federal ficaram menos transparentes, a administração da dívida em títulos tem de ser mais cautelosa, pois seu giro depende do grau de confiança dos investidores. Daí a importância das observações do coordenador-geral de Operações da Dívida Pública do Tesouro Nacional, Fernando Garrido, de que aumentou o interesse por títulos de médio e de longo prazos, tanto no Tesouro Direto quanto nos leilões. Para Garrido, "os investidores acreditam que é mais vantajoso comprar título mais longo". É um sinal de que se espera uma melhora futura do ambiente macroeconômico, o que poderá favorecer aqueles que aplicaram em papéis com as taxas elevadas oferecidas neste ano.

A posição cuidadosa dos gestores da dívida contrasta com a volatilidade do mercado, o que contribui para afastar os indicadores atuais da dívida das ambiciosas metas do Plano Anual de Financiamento (PAF).

O Tesouro tem como objetivo um mínimo de 40% em títulos prefixados, mas o peso desses papéis foi de 39% em julho, quando se registrou o resgate total de R$ 63 bilhões em Letras do Tesouro Nacional. E, com a colocação de R$ 6,1 bilhões líquidos em LFTs, indexadas à taxa Selic, o peso desses papéis, de 19,9% na dívida, superou a meta do PAF, de 19%. Grande parte dos investidores prefere os papéis com taxas flutuantes, pois acredita que a Selic continuará elevada em 2015, pelo menos até a acomodação de preços.

Entre os compradores de papéis federais destacaram-se os não residentes (estrangeiros, principalmente), que aumentaram sua posição de 16,1%, em dezembro, para 18,52%, em julho - quase R$ 60 bilhões a mais. O aumento se deve ao fato de o Brasil pagar juros mais elevados que a maioria dos países emergentes. Já as instituições financeiras diminuíram em cerca de R$ 25 bilhões suas posições em títulos federais.

Embora o custo de colocação dos papéis seja mais elevado no caso das ofertas públicas, o Tesouro tem conseguido manter o custo médio da dívida, que foi de 11,05% ao ano, em junho, e de 11,04% ao ano, em julho.

Após as eleições, os investidores terão elementos mais concretos para avaliar as perspectivas econômicas e, assim, poderão definir com mais segurança suas preferências.

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