Dívida ruim dos bancos da Espanha passou de € 100 bilhões pela 1ª vez em maio

No período, mais empresas entraram em concordata e o desemprego continuou a subir

Ligia Sanchez, da Agência Estado,

19 de julho de 2010 | 10h36

A dívida ruim detida pelos bancos da Espanha passou de € 100 bilhões pela primeira vez em maio, enquanto mais empresas entraram em concordata e o desemprego continuou subindo em meio à crise econômica. De acordo com dados publicados pelo Banco de Espanha, o total de empréstimos vencidos subiu para € 100,37 bilhões em maio, ante € 99,89 bilhões em abril e € 86,74 bilhões em maio de 2009. O valor de maio equivale a 5,5% dos empréstimos totais, aproximadamente o mesmo que em abril.

Os dados também mostraram que o crédito está sendo retirado da economia espanhola, à medida que os bancos se tornam mais seletivos quanto a quem emprestar. O total de empréstimos caiu 2% no ano, para € 1,818 trilhão, ante € 1,860 trilhão há um ano.

Durante o boom de quase uma década do setor imobiliário e de construção, a Espanha passou a depender fortemente de financiamento estrangeiro para sustentar seu forte crescimento. Essa tendência foi rapidamente revertida quando a bolha imobiliária estourou e a economia caiu em recessão, há dois anos.

"Os bancos precisam voltar a dirigir sua atividade de empréstimo para outros setores além do de construção e precisam pesar os riscos cuidadosamente quando concedem empréstimos", afirma Laura Velasco, economista da Banesto Bolsa. "Os bancos devem continuar a registrar mais prejuízos com empréstimos no futuro", afirmou Velasco. O aumento em maio ficou dentro das expectativas de mercado, segundo ela.

Executivos de bancos espanhóis esperam que os empréstimos ruins cheguem ao pico este ano. Mas na semana passada, a presidente do Banco Español de Crédito, Ana Patricia Botín, afirmou que prevê um pico no próximo ano. A proporção de empréstimos vencidos e não pagos do setor está no maior nível em 15 anos, com os bancos espanhóis digerindo uma onda de inadimplência que acompanha a elevação do desemprego e o fim bolha imobiliária.

De acordo com os últimos dados sobre falências corporativas do Instituto Nacional de Estatísticas (INE), uma em cada três companhias que entraram em concordata na Espanha no primeiro trimestre deste ano eram dos setores de construção ou imobiliário. Os dados mostram que 1.623 empresas pediram proteção contra credores na Espanha no primeiro trimestre. As informações são da Dow Jones.

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