Dívida ultrapassa meta com FMI; superávit é recorde

O governo não conseguiu cumprir a meta indicativa firmada com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para o fechamento da dívida líquida do setor público consolidado em junho. De acordo com os dados divulgados hoje pelo Departamento Econômico do Banco Central (Depec BC), a dívida líquida do setor público fechou o mês passado em R$ 750,258 bilhões, superando portanto em R$ 25,179 bilhões a meta estabelecida. Pelo acordo, a dívida pública não poderia ter ultrapassado o limite de R$ 725,079 bilhões. De maio para junho os débitos do setor público consolidado cresceram R$ 41,804 bilhões. De acordo com o BC, a depreciação cambial é a principal justificativa para esse crescimento. O impacto da variação da taxa de câmbio em junho na dívida interna indexada ao dólar foi de R$ 23,3 bilhões. No caso da dívida externa, o impacto foi de R$ 18 bilhões. Em relação ao PIB, a dívida de junho bateu em 58,6%. Em maio, a dívida líquida do setor público era equivalente a 55,9% do PIB. O valor alcançado pela dívida líquida em junho é o maior da história. Como não podia deixar de ser, os efeitos da depreciação do câmbio também foram fortes na dívida bruta do setor público. Em junho, essa dívida atingiu praticamente o valor histórico de R$ 1 trilhão, ao fechar em R$ 999,650 bilhões, o equivalente a 78,1% do PIB. Em maio, a dívida bruta do setor público estava em R$ 956,469 bilhões ou 75,4% do PIB. Superávit primário é de R$ 5,339 bilhõesO setor público consolidado conseguiu em junho registrar um superávit primário em suas contas de R$ 5,399 bilhões. O resultado é o melhor para meses de junho já registrado pelo Banco Central desde 1991. O bom superávit alcançado foi composto da seguinte maneira: o governo central (Tesouro Nacional, Banco Central e INSS) teve um superávit de R$ 1,781 bilhão e os governos regionais (Estados e municípios) fecharam suas contas no mês passado com um primário de R$ 930 milhões. Para completar, as empresas estatais (federais, estaduais e municipais) contribuíram com um superávit de R$ 2,688 bilhões. Somente as estatais federais tiveram um superávit primário em suas contas de R$ 2,028 bilhões em junho. Segundo o Depec, o setor público consolidado gastou no mês passado R$ 7,011 bilhões com o pagamento de juros nominais. Com isso, o resultado nominal (que inclui as despesas com juros) do setor público em junho foi deficitário em R$ 1,612 bilhão. No semestre, o primário acumulado pelo setor público foi de R$ 28,9 bilhões (4,71% do PIB), cumprindo portanto com folga a meta firmada pelo governo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), que era de R$ 25 bilhões.Os gastos com juros somaram R$ 46,274 bilhões (7,55% do PIB), resultando num déficit nominal no primeiro semestre de 2002 de R$ 17,373 bilhões (2,84% do PIB). No acumulado em 12 meses terminados em junho o resultado primário chegou a R$ 42,138 bilhões (3,43% do PIB). Os gastos com juros acumulados neste período foram de R$ 94,132 bilhões (7,70% do PIB) gerando portanto um déficit nominal de R$ 51,994 bilhões (4,26% do PIB). Estatais têm superávit de R$ 2,028 bilhões Apesar do excelente resultado primário registrado em junho, as empresas estatais federais ainda amargam um déficit primário no resultado acumulado de suas contas no primeiro semestre deste ano. De acordo com os dados do Depec, apesar de as estatais federais terem registrado um superávit primário de R$ 2,028 bilhões em junho, respondendo por quase todo o superávit das estatais (que incluem ainda as estaduais e municipais) no mês passado, ainda assim, no semestre, a conta dessas empresas está deficitária em R$ 1,432 bilhão, o equivalente a 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB). No acumulado em 12 meses terminados em junho, as estatais federais têm um superávit primário de R$ 4,155 bilhões ou cerca de 0,34% do PIB. Em maio as estatais federais tiveram um déficit primário de R$ 253 milhões.

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