Dívidas bancárias batem recorde de inadimplência em janeiro

O número de pessoas que não está dando conta de pagar em dia as dívidas bancárias bateu recorde no mês de janeiro. Segundo dados divulgados pelo Banco Central, o índice de inadimplência atingiu 14,6%, o porcentual mais alto desde junho de 2000, data do início da série. Até entre as pessoas jurídicas o índice é alto.O porcentual de empresas com dívidas em atraso junto às instituições financeiras saiu de 6% em dezembro de 2001 para 6,7% em janeiro de 2002. É o índice mais elevado desde setembro de 2000.Segundo o chefe do departamento Econômico do Banco Central (Depec), Altamir Lopes, o aumento da inadimplência é uma consequência direta da desaceleração da economia, bem mais forte do que o governo previu para o último trimestre do ano passado.No início do ano passado a perspectiva era tão boa que se imaginou ser possível um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) da ordem de 4,5%. Depois de enfrentar sucessivas crises internas e externas, a previsão baixou para 2%, mas acabou o ano com o crescimento do PIB chegando a apenas 1,5%, conforme divulgou, ontem, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).Inadimplência mantém juro altoFoi o nível de inadimplência, segundo Lopes, que impediu uma queda dos juros para o tomador final. Em várias linhas os juros até subiram em janeiro como consequência do fim das promoções de final de ano.Um exemplo é a taxa de juros cobrada no financiamento de veículos, que estavam em 38,24% ao ano em dezembro último. Em janeiro esta taxa subiu para 41,94%, um aumento de 3,7 pontos porcentuais.A queda da taxa de juros do cheque especial pode ser considerada irrisória. Ela baixou de 160,18% ao ano em dezembro de 2000 para 160,10% ao ano no mês seguinte. Os clientes que tentaram sair da taxa exorbitante do cheque especial para o crédito pessoal, cuja demanda aumentou no mês de janeiro, foram surpreendidos pelo aumento da taxa de juros para essa modalidade de empréstimo. A taxa de juros para o crédito pessoal aumentou, na média, 0,5 ponto porcentual de um mês para o outro, passando de 84,25% ao ano em dezembro para 84,73% ao ano em janeiro.Entre as pessoas jurídicas, a procura maior por crédito se deu na linha conhecida como conta garantida, um crédito de curto prazo, enquanto que caiu a demanda pela linha de capital de giro. A taxa de juros da conta garantida subiu 2 pontos porcentuais, passando de 63,74% ao ano em dezembro para 65,765 em janeiro último.Também aumentou muito em janeiro a demanda das empresas por linhas de crédito vinculadas ao câmbio. As concessões de Adiantamento de Contratos de Câmbio (ACCs) no mês de janeiro foram 23,5% maiores do que as verificadas no mês anterior e alcançaram, no mês, R$ 4,997 bilhões.

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