Dívidas devem derrubar vendas do Dia dos Pais

Varejo prevê crescimento de vendas entre 3,5% e 4% ante o ano passado; roupas, calçados e eletrônicos devem ser os produtos mais procurados

LAÍS ALEGRETTI, LUCAS HIRATA, ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

31 de julho de 2012 | 03h03

Os comerciantes esperam baixo crescimento nas vendas para o Dia dos Pais no Brasil. A previsão dos varejistas é que o aumento fique entre 3,5% e 4% em relação ao mesmo período do ano passado, quando as perspectivas de crescimento foram de 8%. O pessimismo para este ano se deve ao comprometimento da renda do brasileiro com dívidas.

O endividamento das famílias prejudicará o comércio não só no Dia dos Pais, mas até o fim do ano, segundo a Câmara Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL), que prevê aumento de 3,5% nas vendas para a data. "O brasileiro antecipou suas compras por meio do crédito e agora tem que parar de consumir por um tempo para pagar as contas", disse Roque Pellizzaro, presidente da CNDL.

Pellizzaro aposta que as medidas do governo de estímulo ao consumo, como a redução de juros e a oferta de melhores condições de crédito, só serão sentidas no ano que vem. "O comprometimento atual do consumidor está nos juros antigos. As pessoas estão pagando os juros velhos e caros", afirmou.

Segundo dados divulgados na semana passada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o número de famílias endividadas em julho deste ano (57,6%) diminuiu em relação ao mesmo período de 2011 (63,5%).

Para Marianne Hanson, economista da CNC, o consumidor está mais contido. "Nos últimos anos, as famílias viram uma parcela maior da renda comprometida com dívidas e muitas caíram na inadimplência. Elas se assustaram com o crédito", afirmou.

A Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop) também espera crescimento menor nas vendas: 4% em relação ao mesmo período de 2011.

Inverno. Para a capital paulista, a Associação Comercial de São Paulo (ACSP) espera crescimento das vendas entre 3% e 4% em comparação com o Dia dos Pais do ano passado. Esse número deve aumentar, segundo a entidade, se o inverno for rigoroso. "Se a onda de frio continuar, a venda de roupas deve crescer", afirmou o presidente da ACSP, Rogério Amato. A previsão no Estado de São Paulo é mais otimista. Os lojistas apostam que as liquidações de inverno vão estimular as compras.

Roupas, calçados e eletrônicos devem ser os produtos mais procurados. Segundo expectativas da CNDL e da Alshop, o tíquete médio deve ficar entre R$80 e R$90. Em 2011, a CNDL constatou aumento de 6,86% nas vendas nacionais para o Dia dos Pais em relação ao ano anterior.

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