Dividida, Opep mantém atual produção

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) decidiu manter o atual teto de produção de petróleo em 30 milhões de barris por dia. A discussão foi dificultada pela oposição de alguns membros, que avaliam a produção atual como excessiva.

VIENA, O Estado de S.Paulo

13 de dezembro de 2012 | 02h03

Reforçando as posições contrárias à manutenção da produção, a Agência Internacional de Energia (AIE), disse ontem em seu relatório mensal que a demanda global por petróleo será pouco aquecida ao longo de 2013, com a fraca expansão da economia, prevendo também níveis confortáveis de oferta do petróleo, podendo aliviar a pressão sobre os preços da commodity para os consumidores. "O crescimento da demanda global deve ficar relativamente baixo ao longo de 2013, com base no pressuposto de uma baixa expansão econômica global."

A entidade projetou um crescimento da demanda global para 2013 de 865 mil barris por dia, 110 mil bpd acima do previsto no relatório anterior, elevando o consumo para uma média de 90,5 milhões de barris por dia.

Pressão. O ministro do Irã, Rostam Ghasemi, afirmou que e vai pressionar alguns membros do grupo a diminuir a produção, depois de a Opep ter informado na quarta-feira que está produzindo 780 mil barris por dia acima do teto. Para ele, os integrantes que aumentaram a produção de petróleo no ano passado para equilibrar a queda nas exportações da Líbia, ocorrida durante o conflito no país, devem agora reduzir a produção.

Membros do Golfo, principalmente, Arábia Saudita e Emirados Árabes, aumentaram a produção em 2011 para preencher o rombo deixado pela Líbia. Mas o ministro dos Emirados Árabes, Mohammad al-Hamli, afirmou que não há necessidade da redução defendida agora pelo Irã. "Estamos produzindo o que o mercado precisa", disse al-Hamli. "O mercado, nossos clientes, precisa mais que o teto de 30 milhões de barris por dia."

O Iraque - membro da Opep cuja produção vem crescendo mais rapidamente - disse que "nunca vai cortar a sua produção", segundo o representante do país no cartel, Falah Alamri. "Alguns daqueles que aumentaram sua produção nos últimos dois anos devem fazê-lo."

A Opep deve sofrer a concorrência do aumento de produção de petróleo de xisto dos Estados Unidos e agir para proteger seus interesses, disse al-Hamli, sem especificar a ação que a Opep pensa tomar.

Ainda ontem, a Opep apontou novamente Abdullah al-Badri, da Líbia, como secretário-geral por mais um ano, até o fim de 2013, ampliando seu mandato de cinco anos. / AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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