Divisão de expectativas marca reunião do Copom

As apostas majoritárias para o que o BC fará hoje com a Selic viraram em menos de uma semana de uma alta de 0,25 ponto porcentual para 0,5 ponto

CÉLIA FROUFE, O Estado de S.Paulo

03 Dezembro 2014 | 02h04

As expectativas para a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), iniciada ontem, são as mais divididas dos últimos tempos. As apostas majoritárias para o que o Banco Central fará hoje com a Selic viraram em menos de uma semana de uma alta de 0,25 ponto porcentual para 0,5 ponto. Essa perspectiva de maior aperto monetário se dá em um ambiente negativo para a inflação e conta com a sinalização passada pelos porta-vozes da instituição de que poderão atuar de forma mais forte se necessário. De qualquer forma, as projeções estão divididas como não se via antes desde fevereiro.

Muitos analistas ficaram ressabiados com a "bola nas costas" que tomaram no encontro de outubro. Na ocasião, as 84 casas consultadas pelo AE Projeções contavam com estabilidade da taxa e foram surpreendidas com uma elevação de 0,25 ponto. Os economistas ficaram desconfiados e passaram a interpretar toda e qualquer manifestação do Banco Central para não errar novamente.

Ainda é considerável a fatia dos que projetam a continuidade do ritmo de 0,25 ponto. Até porque, assim como alguns diretores do BC alegaram na decisão anterior, ainda havia dúvidas sobre a magnitude e a persistência dos ajustes de preços. Outra incerteza é quanto à retomada da atividade, que dá poucos indícios de recuperação.

O BC deixou a porta aberta para dar uma esticada a mais nos juros, mas a favor dos que acreditam na manutenção da toada de alta de 0,25 ponto está a expectativa de que 2015 será um ano diferente para as contas públicas. O ministro indicado, Joaquim Levy, prometeu austeridade para os próximos três anos, o que é um ganho e tanto para os efeitos da política monetária. E, é bom lembrar, qualquer ação tomada amanhã pelo Copom só terá efeito mesmo em meados de 2015.

Na última consulta realizada pelo AE Projeções - serviço de coleta de dados da Agência Estado -, 41 de 62 casas esperavam que a alta anunciada seja de meio ponto porcentual.

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