Divisão Latina pode impedir avanços em Viena

A América Latina chega à cúpula com a União Européia, que começou nesta quinta-feira na Áustria, dividida por crises internas que, segundo analistas, podem comprometer avanços nas relações comerciais com o bloco europeu. "Esta deveria ser uma cúpula para promover o livre comércio, mas a região vive uma volta do nacionalismo", afirma o especialista em Mercosul da London School of Economics, Francisco Panizza, referindo-se aos governos de Hugo Chávez, na Venezuela, e Evo Morales, na Bolívia.Para o analista, a nacionalização do gás por Morales, a crise entre Uruguai e Argentina no Mercosul e a saída da Venezuela da Comunidade Andina de Nações expõem as divisões da América Latina e impedem a região de se colocar aos europeus "com uma única voz"."Se você é espanhol, não estará muito feliz com o que está acontecendo na Bolívia", diz Panizza, referindo-se à nacionalização dos ativos da petrolífera espanhola Repsol no país.Mercosul Fragmentados em sub-regiões e blocos comerciais, os 33 países da América Latina nunca tiveram uma relação simétrica com os 25 países que formam a União Européia, cuja integração - inclusive política - é muito mais forte. Como o próprio secretário de Relações Exteriores da Áustria, Hans Winkler, notou, a América Latina é muito mais ?heterogênea? do que a Europa.Mas o momento atual é especialmente delicado, na avaliação de Panizza e outros analistas. O professor da LSE destaca a crise no Mercosul, que enfrenta "todo tipo de problema", desde protecionismo entre os países membros (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai) até o risco de desintegração com a ameaça do Uruguai de deixar o bloco."O Mercosul esta completamente fraturado", avalia o especialista. Para o economista-chefe da consultoria Anchorage Capital Partners, Pedro de Souza Leão Regina, do ponto de vista dos investidores, o Mercosul já não existe mais."O Mercosul é apenas para políticos. Para o empresariado, não serve (como referência)." Panizza ressalta, no entanto, que a União Européia também tem as suas divergências internas e que o principal entrave às negociações comerciais com os blocos continua sendo "falta de vontade política" de fazer concessões no sentido de abrir seus mercados para os países em desenvolvimento.

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