Divulgação de previsões trimestrais do Ipea é vetada

A divulgação da Carta de Conjuntura do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), tradicional instrumento de análise trimestral da evolução da economia, no qual são feitas as projeções para o ano, se transformou ontem numa verdadeira peleja. As previsões, embora tivessem sido elaboradas pela área técnica, não foram divulgadas, sob o argumento de que o Ipea se ateria a análises de longo prazo e não iria alimentar especulações do mercado.?Não vamos divulgar as previsões para não alimentar especulações do mercado financeiro?, declarou Miguel Bruno, um dos atuais coordenadores do Grupo de Análises e Previsões do Ipea. A declaração foi feita pouco depois de o assessor de imprensa do instituto, Estanislau Maria, ter informado, em coletiva de imprensa, que não haveria projeções ?por orientação da Presidência da República?. Momentos depois, Maria explicou - ?para não dar manchete errada? - que não havia censura do governo, apenas a determinação para o Ipea dar prioridade a estudos de longo prazo.Numa confusa entrevista, o diretor de Estudos Macroeconômicos, João Sicsú, que inicialmente não participara da divulgação da Carta, foi chamado para dar esclarecimentos. Ele afirmou que não há previsões novas institucionais do Ipea, ?só individuais?. O economista disse, porém, que os técnicos poderiam dar suas previsões sem serem acusados pela direção de alimentar especulações. ?Nunca teve problema e não terá?, afirmou, negando censura ou falta de transparência. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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