Do limão, uma limonada

Os traders de energia da filial brasileira da Enron Ricardo Lisboa, Rubens Parreira e Mateus Andrade engrossaram a coluna dos mais de 21 mil demitidos pela empresa americana quando veio à tona, em 2001, a maquiagem contábil que a fez ser execrada como sinônimo de má conduta corporativa. Mas o que podia ter abreviado a carreira deles no setor elétrico, na verdade, deu o empurrão inicial para a formação de um negócio promissor. Com o dinheiro de suas economias, eles resolveram transformar o limão da demissão numa limonada e criar, em pleno apagão energético de 2001, a Delta Energia, especializada na comercialização de energia elétrica.

Clayton Netz, O Estado de S.Paulo

21 de maio de 2010 | 00h00

Atualmente, a Delta está entre as cinco maiores comercializadoras independentes de energia do País e tem em sua carteira clientes como a Vale, Gerdau e Votorantim, entre outros. "Com o apagão, vimos que havia oportunidade para um novo nicho de negócios", diz Mateus Andrade, diretor-geral da Delta.

De um faturamento de R$ 2 milhões em 2002, a empresa esperar chegar a R$ 280 milhões neste ano. Esse desempenho se deve, em grande medida, à diversificação em curso, principalmente à exportação de etanol, que deve representar perto de 40% do total. "Temos expectativa de crescimento com a venda de energia elétrica, mas nossa aposta agora é mesmo o etanol, que promete uma expansão muito mais acelerada", diz Andrade.

Baseada em São Paulo, a Delta começou a vender etanol para o mercado externo no final de 2008. Em 2009, as vendas do combustível geraram receitas de R$ 30 milhões. Para este ano, segundo Eolo Mauro Neto, responsável pelo braço de exportação da Delta, devem crescer para R$ 100 milhões.

A tendência é que o etanol ganhe cada vez mais espaço na estratégia de crescimento da Delta. Em junho próximo, a empresa vai inaugurar um complexo de armazenagem do combustível em Ribeirão Preto, centro do polo sucroalcooleiro paulista, que consumiu R$ 30 milhões em investimentos. O complexo vai servir para estocagem do combustível destinado à exportação, feita para a Europa, Coreia do Sul, Jamaica, Japão e Tailândia. "No mercado brasileiro de etanol, basicamente só existem os negócios feitos à vista", afirma Neto. "Queremos, com os nossos tanques, evitar o impacto da alta de preço na entressafra para continuarmos atendendo nossos clientes estrangeiros com contratos futuros." No segundo semestre deste ano, a Delta vai inaugurar um escritório comercial em Genebra, com o objetivo de se aproximar de seus maiores clientes.

A experiência com o etanol deverá ser replicada com o biodiesel. "Até 2011, queremos iniciar uma operação com combustível à base de soja, que dispõe de maior oferta de matéria-prima e apresenta o melhor custo benefício diante das outras fontes", diz Andrade.

Até agora, o crescimento da Delta tem sido bancado por recursos próprios. Andrade, no entanto, não descarta a possibilidade da entrada de novos sócios, sejam investidores individuais, sejam fundos de equity. "Já recebemos sondagens, mas nenhuma se mostrou interessante para a Delta."

CIGARROS

Preço no Brasil é o 5º mais alto no mundo

Ao contrário do que se imagina, o cigarro brasileiro não é barato. Segundo um estudo da Fundação Getúlio Vargas, o Brasil ocupa o quinto lugar no ranking que calcula o custo do consumo em relação à renda pessoal (veja a tabela). O estudo, elaborado com base em dados de dezembro de 2009, comparou o preço do cigarro em 22 países. Nele, a Turquia aparece como o país em que o tabaco mais pesa no bolso do consumidor, correspondendo a 5,68% do PIB per capita. No extremo oposto, o mais barato para os fumantes é o Japão, onde o cigarro representa apenas 0,82%.

FRALDAS

Fabricante fluminense vai produzir no Nordeste

Terceira maior fabricante de fraldas descartáveis do País, a carioca Aloés está expandindo os negócios para o Nordeste. Até o final do ano deve inaugurar uma fábrica no polo industrial de Marechal Deodoro, em Alagoas, gerando 200 novos empregos e elevando a produção e o faturamento em 30%. Com apenas 3% da preferência dos nordestinos, a Aloés pretende elevar em dois anos a participação na região para 9%, nivelando-a à sua fatia nacional. "Não conseguimos competir com a concorrência na região, por causa do frete", diz Jorge Zakzuk, diretor-geral da Aloés. Segundo ele, com a nova fábrica, as despesas com logística cairão quase 80%. Hoje, a produção está concentrada nas duas fábricas do Rio de Janeiro. O potencial do mercado nordestino é enorme: enquanto o índice médio de consumo de fralda no País é de 45 para cada 100 crianças, no NE ele gira em torno de 20.

INTERNACIONALIZAÇÃO

Brazilian Desk começa a funcionar em Frankfurt

O Demarest & Almeida, de São Paulo, e o escritório de advocacia Noeer, da Alemanha, acabam de criar um Brazilian Desk, que funcionará na cidade Frankfurt, principal centro financeiro do país. A advogada brasileira Brunela Vieira de Vincenzi, que foi sócia do Demarest no Brasil, comandará o escritório. Segundo o diretor do Noeer, Dieter Schenk, o Desk visa assessorar negócios gerados pelo crescente interesse da União Europeia pelo Brasil.

SAÚDE

Dasa fatura com baixa renda e emergentes

A expansão da classe C no Brasil está chegando à área de saúde privada. As marcas standards da Dasa, maior empresa de medicina diagnóstica e saúde preventiva na América Latina, faturaram no primeiro trimestre deste ano R$ 110 milhões, um crescimento de 10% em relação ao mesmo período de 2009. Cerca da metade do R$ 10 milhões de acréscimo de vendas ficou por conta do Laboratório Popular, programa de exames a preços acessíveis, voltado aos consumidores de baixa renda, que não possuem planos de saúde ou aposentados.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.