Felipe Rau/ Estadão
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coluna

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Do telex à nuvem, Agência Estado vive evolução digital há 50 anos

Criada para distribuir produção jornalística do Grupo Estado, agência é líder desde o início

Redação, O Estado de S.Paulo

04 de janeiro de 2020 | 05h00

Se o jornalismo é o primeiro rascunho da História, as linhas vêm sendo escritas muito mais rápido desde que a Agência Estado foi criada, há 50 anos. O serviço nasceu em 4 de janeiro de 1970 para agregar, vender e distribuir o trabalho de 520 jornalistas profissionais que produziam notícias e fotografias para O Estado de S.Paulo e Jornal da Tarde em todo o mundo. Praticamente sem a infraestrutura de telecomunicações no País à época, os textos eram transmitidos por telex e os rolos de filmes fotográficos percorriam longos caminhos para chegar à redação. Notícias esperavam dias para serem publicadas. Hoje, informações e imagens chegam ao assinante ao mesmo tempo em que os fatos estão acontecendo – enquanto as iniciativas em machine learning news, como são chamadas as produções jornalísticas feitas por robôs, inteligência artificial e aprendizado de máquina, são adotadas. 

Em tempos nos quais a transformação digital modifica estruturalmente negócios em todas as áreas da economia, debruçar-se sobre a história da Agência Estado é observar de perto essas mudanças se sucedendo ano após ano, na prática. Capaz de antever o movimento que faria as notícias migrarem para o meio digital – e se tornarem mais valiosas para os leitores que usam informações profissionalmente –, a unidade de negócios do Grupo Estado transformou-se em uma empresa independente e líder de mercado desde o nascimento. 

“No fim dos anos 80, decidimos que a Agência Estado abraçaria a telecomunicação, os softwares e a computação porque inexoravelmente era para onde o setor migraria”, diz o jornalista Rodrigo Lara Mesquita, que assumiu o comando da Agência Estado, em 1988. Então com 34 anos de idade, Mesquita fez parte de um programa do MIT Media Lab e o Grupo Estado tornou-se o representante da América Latina, junto a um grupo de excelência de empresas globais de mídia, a buscar novos caminhos para o jornalismo.

Com uma equipe formada por alguns dos mais renomados jornalistas do País à época, a Agência Estado foi totalmente reformulada no fim dos anos 80. Da jornada de trabalho ao regime de dedicação dos profissionais, passando por treinamentos e investimentos pesados em tecnologia, a unidade ganhou um porte inédito. Os 70 assinantes do serviço de notícias de 1978 se transformaram em 150 jornais e 50 emissoras de rádio e TV, poucos anos depois. Das 100 principais publicações do País nos anos 90, 75 reproduziam as notícias feitas pelos jornalistas do Grupo Estado. Eram 25 milhões de leitores – mais de um terço da população alfabetizada do País então –, segundo o Instituto Verificador de Comunicação (IVC), que audita dados de mídia. 

Com a prioridade de juntar a produção e a distribuição de notícias com a tecnologia, houve uma aproximação natural da Agência Estado com o setor financeiro, única área da economia que dispunha de recursos para investir nos então caríssimos computadores e sua infraestrutura. “A ideia era aprender”, diz Mesquita. Porém, com a informatização avançando, bancos e corretoras passaram a exigir dados mais bem elaborados e estruturados. Assim, em agosto de 1991, o Grupo Estado comprou a Broadcast Teleinformática, empresa de tecnologia que fornecia cotações de câmbio, commodities e ações para o mercado financeiro. 

Nova frente

Ao juntar cotações e notícias, um novo mercado se abriu ao grupo. Foi o início da transmissão de informações em tempo real, que mudou o jeito como o jornalismo era feito. No primeiro grande evento que mexeu com a economia do País, após a compra do terminal Broadcast, os assinantes puderam acompanhar passo a passo o leilão de privatização da Usiminas. Foram publicadas 130 notas, feitas por jornalistas espalhados na sede da empresa em Ipatinga (MG), na bolsa de valores do Rio de Janeiro, na Justiça Federal e nos protestos de sindicalistas. O assinante recebeu uma informação a cada quatro minutos – e pôde usá-las para tomar decisões. 

Como resultado, no início de 1992, a Agência Estado/Broadcast já tinha 20% do mercado. O porcentual só cresceu de lá para cá. Fornecedores de notícias em tempo real de porte global e líderes de mercado em outros países enfrentam, desde aquela época, dificuldades em assumir fatias maiores no mercado brasileiro, por conta do pioneirismo e da qualidade do serviço. Além do Brasil, poucos países, como China e Japão, têm líderes locais. Nos últimos três anos, a Agência Estado foi considerada a Mais Admirada do País pelo Jornalistas&Cia e Portal dos Jornalistas. 

“Construída nestes 50 anos, a credibilidade da notícia é a principal marca do terminal Broadcast. Resultado da apuração cuidadosa e da especialização de seus jornalistas, a precisão da informação permite ao assinante tomar decisões de negócios com confiança”, afirma Teresa Navarro, editora-chefe da AE/Broadcast

Evolução

Nesse meio tempo, o serviço foi se especializando. Em 1995, foi criado o Agrocast, com cotações e informações do complexo agrícola. Dois anos depois, começou a cobertura específica das companhias abertas. Mais tarde, haveria um serviço voltado às notícias da política, entre outros. “A AE/Broadcast é utilizada pelos principais decisores do País, sejam empresários ou formadores de políticas públicas”, diz Miresh Kirtikumar, presidente executivo da AE/Broadcast. “Quem não tem o serviço, sente-se fora do que está acontecendo no mercado.” 

Na área tecnológica, o DNA da empresa foi impregnado pela inovação. O telex da década de 80, que transmitia informações a 50 bits por segundo (bps), foi trocado por ondas de frequência modulada, em uma velocidade de 1.200 bps poucos anos depois. Com a privatização da telefonia, houve a evolução para transmissão por satélites, fax, um serviço da Embratel chamado Rede Nacional de Pacotes (Renpac) e o chamado Bulletin Board System (BBS). Em 1994, já era possível interagir com a notícia pelo terminal. No ano seguinte, o Grupo Estado foi um dos pioneiros a entrar na internet por meio da Agência Estado, com um serviço possível graças a uma parceria com o Instituto de Física da USP.

Hoje, as informações chegam aos assinantes via nuvens híbridas, em ambientes complexos e adequados às necessidades de segurança das instituições financeiras. A empresa usa serviços de líderes de tecnologia e, em 2019, internalizou a propagação do sinal de transmissão, com uma das menores latências do mercado. O que garante que as cotações das ações negociadas em Bolsas de todo o mundo, commodities e câmbio entrem na tela do assinante milissegundos após as transações acontecerem no mercado.

Paradoxalmente ao mundo tradicional de mídia, o valor da informação aumenta com a notícia especializada”, afirma Kirtikumar. “É como se fôssemos um porto seguro para quem ganha ou perde dinheiro tomando decisões.”

Mercado positivo leva a recorde

O mercado financeiro brasileiro vive seu melhor momento em mais de uma década. A menor taxa de juros já registrada – e a expectativa de que se mantenha reduzida por um longo período – têm feito com que o brasileiro migre seus investimentos de aplicações conservadoras para as de maior rentabilidade e risco. Somado à tecnologia, que permitiu a criação das plataformas de investimentos e a consequente popularização das aplicações em Bolsa, o resultado foram sucessivos recordes do Ibovespa. Os índices da B3 têm superado marcas históricas mês após mês, as empresas têm captado dinheiro no mercado em volumes extraordinários e um número inédito de gestoras e fundos surgiram nos últimos anos.

Nesse cenário, a AE/Broadcast teve, em 2019, seu melhor ano em termos de receita. Pelo segundo ano consecutivo, a empresa cresceu acima de dois dígitos em faturamento e vê perspectivas de manter a tendência. “Vemos um próximo ciclo de crescimento duradouro por conta da necessidade do usuário profissional de informação para tomada de decisão”, diz Miresh Kirtikumar, presidente executivo da AE/Broadcast. “A tecnologia tende a equiparar-se e, em um mundo de informação pulverizada, a qualidade torna-se ainda mais valiosa.” 

Além dos pesados investimentos em tecnologia dos últimos anos, que permitiram a saída da estrutura tradicional de data centers e telecomunicações para a nuvem, para o próximo ciclo de crescimento estão previstos lançamentos de novos produtos. O objetivo é fornecer serviços ainda mais especializados para parceiros tradicionais, clientes do Broadcast há muitos anos, bem como para entrantes do mercado, como plataformas que demandam novos produtos e ferramentas. “Metade dos nossos leitores já estão no celular e há toda uma nova gama de produtos que podemos oferecer”, afirma Kirtikumar. “Os próximos 50 anos estão só começando.”

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