Doações sustentam oásis educacionais no Vale

Centro comunitários são responsáveis por projetos de educação e abrigam famílias inteiras em meio à violência da região

JON SWARTZ, USA TODAY /O Estado de S.Paulo

10 de novembro de 2014 | 02h03

O presidente executivo do Facebook, Mark Zuckerberg, e sua mulher, Priscilla Chan, causaram frisson no ano passado quando doaram ações da companhia no valor de quase US$ 1 bilhão à Silicon Valley Community Foundation.

Este ano, essa fundação levantou quase US$ 8 milhões em 24 horas para beneficiar organizações de caridade locais. A Tipping Point, uma organização de combate à pobreza na Área da Baía, levantou US$ 10 milhões com a ajuda de 20 empresas - entre as quais Apple, Google, Dropbox, Box e Jawbone.

Na falta de doações vultosas de empresa de tecnologia, há inspiração em meio ao desespero. Líderes comunitários e ativistas como Larry Purcell costuram programas sociais com frequência e com pouca, ou nenhuma, ajuda financeira das empresas multibilionárias.

"Há muita gente pobre em East Palo Alto que precisa de alguma coisa em que acreditar", diz a irmã Trinitas Hernandez, diretora da Rosalie Rendu Center, uma organização sem fins lucrativos que leciona inglês e dá treinamento em computação para adultos não falantes de inglês, enquanto oferece serviço de creche e sessões de lições de casa para as crianças.

Trinitas, membro das Daughters of Charity Ministry Services, inicialmente alugou um apartamento de um quarto em East Palo Alto em 1996. Hoje, a organização tem um complexo de 40 unidades que abrigam 37 famílias, comprado com US$ 5 milhões em doações.

O centro é um oásis educacional em um dos bairros mais rudes da Área da Baía. Uma peça artística oculta um buraco de bala que atravessou um dos quartos. "Os garotos estão acostumados com tiroteios", diz a irmã Trinitas despreocupadamente.

Bill Sommerville, de 84 anos, é fundador da Philanthropic Ventures Foundation, que recebeu US$ 8 milhões para escolas para crianças carentes em cinco condados na Área da Baía de São Francisco desde 2000. Um pedido de verba curto e simples de até US$ 500 é processado ou rejeitado em 48 horas. O cordial Somerville gosta de firmar um acordo com um aperto de mão. "O que nós fazemos é confiar nelas e financiá-las", ele diz. "A cidade não tem ímpeto. Não há uma comunidade aqui."

A história do centro tem a ver com esperança e sonhos onde crime e pobreza são geralmente a moeda de todo dia.

Marta Perez fugiu do México para os Estdos Unidos quando era uma adolescente em 1994, correndo pelo meio do mato e cruzando um rio caudaloso depois de desembolsar US$ 2 mil para fazer a odisseia. Marta, Nancy Alvarez e Imelda Jovel aprenderam inglês no centro e ensinam outros ali e na Cesar Chávez Academy. Cada uma tem filhos na universidade ou no secundário. "Eles não têm escolha comigo", diz Nancy, rindo.

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