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Doença pode ajudar indústria brasileira a reduzir estoques

Produtores têm 1.114 toneladas de suco em estoque, mais do que todo o consumo do Brasil no ano passado

RENE MOREIRA / FRANCA , ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

11 de maio de 2013 | 02h08

As indústrias de suco de laranja do Brasil têm uma boa oportunidade para reduzir seus estoques. O citrus greening vem prejudicando os laranjais da Flórida, maior produtor da fruta nos Estados Unidos, e isso deve se refletir nas importações.

As empresas brasileiras contam com um estoque de 1.114 toneladas de suco concentrado, o que corresponde a mais do que todo o consumo no Brasil no ano passado. Agora parte desse produto pode ter como destino o território americano, maior comprador da laranja produzida por aqui.

O greening tem feito o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos rebaixar mês após mês a expectativa de produção de laranja. A doença é transmitida por insetos do tamanho de grãos de arroz que, ao sugarem o líquido das folhas, deixam as bactérias que podem paralisar o sistema vascular de uma árvore, cortando o fluxo de açúcar e outros carboidratos das folhas para as raízes.

A doença torna as árvores extremamente fracas para sustentar o crescimento saudável dos frutos. A laranja é prejudicada e fica com um sabor ácido, vindo a cair do pé.

De acordo com o engenheiro agrônomo Walkmar Brasil, que também é membro da Câmara Setorial da Citricultura, a planta infectada morre em dois anos e meio ou até mesmo antes disso.

Segundo ele, a doença foi debatida na reunião da Câmara realizada na quinta-feira. Um técnico que esteve acompanhando o problema nos Estados Unidos falou sobre a situação atual. Se for mantida a queda prevista, a produção naquele país em 2013 não deve chegar a 140 milhões de caixas de laranja.

A colheita menor pode fazer os americanos comprarem mais suco do Brasil, ajudando a reduzir os estoques das companhias brasileiras em razão das últimas grandes safras e da retração no consumo mundial.

Estudo do Centro de Estudos em Economia Aplicada (Cepea) confirmou que devem ser criadas oportunidades de exportação de suco de laranja para a safra do Brasil, por causa do greening e também da seca severa que vem prejudicando as lavouras da Flórida.

Em São Paulo. O agrônomo Walkmar Brasil diz que a doença também tem sido um problema no País, principalmente no Estado de São Paulo, onde a queda na produção pode passar dos 20% por causa das pragas.

Um estudo ainda está sendo realizado, mas ele explica que em São Paulo apenas a região noroeste não sente tanto os efeitos do greening. No ano passado, no Estado, o aumento da contaminação dessa praga nos pomares foi de 82,8% em comparação com 2011.

Relatório da Coordenadoria de Defesa Agropecuária do Estado aponta que no segundo semestre de 2012 foram erradicadas 4 milhões de plantas com sintomas do greening e 14,5 milhões por outras doenças e motivos.

O relatório também mostra que, no mesmo período, foi replantado somente 1,1 milhão de plantas cítricas. As regiões com maior porcentagem de plantas eliminadas por causa do greening foram Limeira (6,4%), Ribeirão Preto (5,5%), Jaboticabal (3,3%), Araraquara (2,9%), São João da Boa Vista (2,8%), Mogi Mirim (2,6%) e Bauru (2,2%).

Perspectiva. O presidente da Associação Brasileira de Citricultores (Associtris), Flávio Viegas, acredita que para o citricultor do Brasil a redução da produção na Flórida, provocada pela doença, não deve ser sentida.

Isso porque a indústria deve alegar que conta com grandes estoques na hora de negociar a aquisição da laranja. "Era para esse problema nos Estados Unidos fazer subir o preço da fruta aqui, mas infelizmente não creio que isso irá acontecer", afirmou. Para ele, o fato de poucas empresas controlarem o mercado também deve pesar contra o produtor.

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