Coluna

Thiago de Aragão: China traça 6 estratégias para pós-covid que afetam EUA e Brasil

Dois anos após atentados, mercados focam economia e empresas

Dois anos depois dos atentados de 11 de setembro nas torres gêmeas do World Trade Center em Nova York (EUA), os investidores voltam seus olhos muito mais para indicadores macroeconômicos e resultados das empresas do que para os riscos geopolíticos. Na América Latina, o desempenho dos principais mercados de capitais nos últimos 24 meses é um exemplo disso. Entre 21 de setembro de 2001 - dez dias depois dos atentados - e 9 de setembro deste ano, a Bolsa de Valores de São Paulo acumula uma valorização de 44,2%, em dólares, de acordo com levantamento da Economática.Ainda segundo esses dados, a Bolsa do México mostra uma apreciação de 31,8%, também em dólares, nesse mesmo período. A do Chile valorizou 26,3%; da Colômbia, 95%; do Peru, 63,2%; e o índice Merval da Argentina, apesar da crise econômica e financeira e do calote de sua dívida aos credores privados, cresceu 2,3%. Mas não foi só o mercado latino-americano a mostrar valorização significativa. O índice Nasdaq, por exemplo, valorizou 31,6%; o Dow Jones, 15,4%; o espanhol Ibex35, 34,5%; e o Latibex, 24,2%. E mais, o valor de mercado em dólares das principais bolsas do Continente tiveram o aumento nada desprezível nesse período de dois anos.Analistas acreditam que o que poderia provocar uma forte queda nas bolsas é uma circunstância nova, imprevista, como foram os atentados de 11 de setembro nos Estados Unidos. Nenhuma das últimas ações terroristas que se seguiram à invasão do Iraque pelo exército norte-americano, por exemplo, provocou reações negativas dos mercados. Aparentemente, afirmam os analistas, porque esses conflitos vêm assumindo um contorno mundial conflitivo.Custos mais elevadosDe qualquer forma, não há como negar também que o medo provocado pelos atentados de 11 de setembro aumentou os custos de transação entre países, que, por sua vez, se transformaram em um motivo de freio na atividade econômica na América Latina e no resto do mundo. Em recente entrevista ao jornal espanhol ABC, o economista alemão Jürgen Donges, diretor do Instituto de Política Econômica da Universidade de Colonia, explica que cada ponto porcentual de incremento nos custos de transação econômica desacelera o comércio mundial, em termos reais, em até três pontos porcentuais, em relação à evolução que ele (o comércio) tomaria em um contexto pacífico.Para enfrentar esse problema, acrescenta o economista alemão, é necessário reduzir custos de produção e aumentar a produtividade na economia e a eficiência nas empresas. Sainz afirma que outro fator que fez crescer esse custo foi o processo eleitoral no Brasil em 2002, quando a possibilidade de Luís Inácio Lula da Silva ser eleito deixou investidores e analistas com um pé atrás e o outro no freio.

Agencia Estado,

11 de setembro de 2003 | 19h02

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.