Dois diretores do BC votaram por elevação maior do juro

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central chancelou a expectativa do mercado de juros futuros de diminuição no ritmo de aperto monetário e elevou a taxa básica do País (Selic) em 0,25 ponto porcentual. Com isso, a Selic atingiu 12% ao ano, nível mais elevado desde o período de 22 de janeiro a 11 de março de 2009, quando o juro básico vigente foi de 12,75% ao ano. A decisão não foi unânime. Cinco integrantes do comitê votaram por alta de 0,25 ponto porcentual, enquanto dois, por elevação de 0,50 ponto porcentual.

FABIO GRANER, Agencia Estado

20 de abril de 2011 | 20h56

"Considerando o balanço de riscos para a inflação, o ritmo ainda incerto de moderação da atividade doméstica, bem como a complexidade que ora envolve o ambiente internacional, o Comitê entende que, neste momento, a implementação de ajustes das condições monetárias por um período suficientemente prolongado é a estratégia mais adequada para garantir a convergência da inflação para a meta em 2012", disse o comunicado do BC, que foi interpretado como indicação de que pelo menos mais uma elevação da Selic será feita. A próxima reunião do Comitê será nos dias 7 e 8 de junho.

Sob a presidência de Alexandre Tombini e com uma diretoria composta exclusivamente de funcionários públicos, o ajuste nos juros este ano já soma 1,25 ponto porcentual, bem próximo do aperto de 1,5 ponto porcentual promovido por Henrique Meirelles quando este assumiu o BC do governo Lula em 2003. Na gestão Meirelles, no entanto, o ajuste no juro ocorreu sobre uma base mais elevada, já que a Selic herdada foi de 25% ao ano, e dava continuidade a um ajuste iniciado pelo governo anterior logo após as eleições, que já tinha subido o juro básico em 7 pontos porcentuais.

Apesar de o BC de fato estar apertando as condições da economia - tanto via alta de juros, como por meio de medidas de contenção de crédito -, a autoridade monetária ainda está sob fogo cruzado do mercado financeiro. A avaliação é de que, diante do quadro inflacionário bastante preocupante, com a inflação já rodando em 12 meses próximo do teto da meta (6,5%), e dos sinais de que a economia ainda tem uma demanda interna pujante, o BC brasileiro estaria assumindo riscos demais com a atual política de ajuste gradual dos juros.

Do lado do BC, o último relatório de inflação deixou claro que a autoridade monetária está de olho não só em domar a inflação, mas também em não sacrificar demais o crescimento econômico. Por isso, o documento trouxe explicitamente que o BC não vai buscar o centro da meta (4,5%) neste ano, apostando que este objetivo será alcançado em 2012. A autoridade monetária já se preparou para conviver com críticas até o terceiro trimestre do ano, enquanto a inflação em 12 meses estiver rodando em níveis elevados, mas espera que no final do ano o IPCA acumulado começa a desenhar claramente a trajetória de convergência para a meta de 4,5%, que já poderá ser alcançada até o segundo trimestre do ano que vem.

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